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Editoriais - A Festa de São José

por Luigino Bruni

Original italiano publicado em Avvenire em 18/03/2024

São José é muito amado pelos cristãos. Por muitas razões, entre as quais a sua normalidade: sentimos verdadeiramente José como nós, embora saibamos que na sua normalidade ele viveu uma extraordinária e única experiência humano-divina.

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José era, diz o Evangelho de Mateus, «um homem justo» (1, 19). Justo é um adjetivo que diz muito na Bíblia, talvez no humanismo bíblico ser justo seja mais importante do que ser bom. O primeiro «homem justo» é Noé (Gn 6, 9). Noé e José têm muitas coisas em comum. São justos, não falam com palavras (não lhes são atribuídos diálogos) porque falam trabalhando, agindo com as mãos e com os pés. Ambos são "salvadores" e guardiões, são pais, construtores, carpinteiros, e sabem como sair de cena uma vez cumprida a sua tarefa, sem se sentirem heróis: depois do dilúvio, Noé planta uma vinha e volta a ser um homem comum; José, depois da infância de Jesus, desaparece dos Evangelhos e do Novo Testamento, onde o seu nome já não se encontra.

Sabemos pouco sobre José, mas não muito pouco. Sobretudo os Evangelhos de Mateus e de Lucas falam-nos dele. Em Mateus, José (não Maria) é o primeiro protagonista dos capítulos sobre o nascimento e a infância de Jesus. Um anjo aparece-lhe três vezes em sonho. José é um sonhador, como o outro José, seu ancestral ascendente. José de Nazaré sonha. Em particular, ele sonha com anjos, anjos que falam com ele durante o sono. E como acontece com muitos homens e mulheres da antiguidade, as teofanias que ocorrem nos sonhos têm uma força maior de verdade para eles. José é um homem que sabe sonhar (é preciso uma vida inteira para o aprender). Ele é um sonhador de Deus, enxertado no coração da história do maior sonho de Deus – "Suplico-te: meu Deus, meu sonhador, continua a sonhar-me" (Jorge Luís Borges).

Nós amamos muito José, também, porque ele é uma bonita figura de pai e de marido.

Embora tenha vivido num mundo onde os maridos dominavam as mulheres e os filhos, José é-nos apresentado como um humilde guardião, um protetor de Maria e do menino Jesus, como um marido e pai que em tempos de crise (Herodes) sabe o que deve fazer, e fá-lo sem demora. Não é um chefe da família, não é um chefe da casa: está ao lado da mulher e do filho, protege-os, cuida da vida deles, traz o pão para casa. E numa altura em que o olhar sobre os homens e sobre os maridos se tornou mais uma vez obscuro devido à violência absurda de alguém que escurece a noite de todos, é importante olhar para esta bonita figura de um homem manso, de um pai e marido respeitoso e atencioso, que sabe cumprir a sua tarefa de cuidar amorosamente.

É quase certo que José era jovem quando se casou com Maria. A tradição e a história da arte, por outro lado, imaginaram-no e retrataram-no quase sempre como velho.

De acordo com o Protoevangelho de Tiago, um texto do século IV, José casou-se com Maria quando já era velho e tinha tido outros filhos, e para Epifânio de Salamina (Panarion) José era viúvo e casou-se com Maria quando tinha mais de oitenta anos. Os Evangelhos não dizem isto e, por isso, podemos imaginá-lo como os noivos daquele tempo: jovem e na primavera da vida. A sua idosa viuvez é apenas teológica (ligada às tradições sobre Maria), e é bom deixá-la para a história, e depois pensar em José, o marido, como um jovem marido trabalhador.

Para nós José, na verdade, é também o carpinteiro. Mateus (13, 55), falando de Jesus, chama-o filho do «carpinteiro». Marcos (6, 3) então diz-nos que também Jesus era um "carpinteiro", e é provável que durante parte de sua juventude ele realmente o tenha sido. O que é certo, porém, é que Jesus cresceu na casa de um carpinteiro. Ele não foi criado (como Samuel) no templo, nem num palácio da corte, nem numa tribo de nômadas. Cresceu numa casa e no meio do trabalho, e trabalhou com as mãos. Durante anos, respirou os cheiros da serradura e da madeira descascada, e treinou-se na disciplina do trabalho artesanal, uma arte antiga, muito amada e estimada até mesmo na Bíblia: «Assim, um lenhador cortou e serrou uma árvore fácil de manejar. Habilmente ele lhe tirou toda a casca, e, com a habilidade do seu ofício, fez dela um móvel útil para seu uso.» (Sabedoria 13, 11).

Hoje, 19 de março, é o Dia do Trabalho para recordar José, mas ao recordar José, o trabalhador, também lembramos e celebramos Jesus, o trabalhador. Na verdade, é necessário celebrar porque na origem do cristianismo há uma família de trabalhadores manuais, de artesãos, há mãos calejadas marcadas com lascas de madeira e golpes de martelo. E é realmente uma boa e ótima notícia. Não é de admirar, portanto, que em 1726 Bento XIII tenha incluído São José nas ladainhas dos santos de todos os livros litúrgicos. Foi de facto um Papa social que, como bispo, fundou mais de 170 Montes Frumentários para os pobres, entre Manfredonia e Benevento. Também não é surpreendente que José tenha sido um santo muito amado por Bernardino da Feltre, o frade franciscano na origem dos Monti di Pietà (Ndt: Montepios), bancos populares fundados para libertar trabalhadores e famílias da usura.

O cristianismo é, portanto, uma história de trabalho e de trabalhadores, desde os seus primeiros passos. Os primeiros apóstolos também eram pescadores, trabalhadores chamados enquanto limpavam as suas redes na margem do lago. As mãos que partiram o pão na Última Ceia e depois no ágape das igrejas eram muito calejadas, gretadas, ásperas e lascadas, não as mãos delicadas dos sacerdotes do templo. O Logos tornou-se carpinteiro; e depois escolheu marinheiros, operários – não escribas, nem sacerdotes – que continuaram a ser pescadores mudando apenas o objeto da pesca.

Pelos Evangelhos sabemos que aqueles pescadores, por vezes, continuaram a pescar peixes mesmo quando pescavam homens. Em José, Jesus, Pedro, João, Tiago, Maria, a dona de casa, há também o fundamento teológico e antropológico da ora et labora do monaquismo, da ética do trabalho dos comerciantes, dos artesãos e dos artistas europeus que tornaram as nossas cidades belas e eternas, que disseram com a vida e com as obras que o trabalho manual não é adequado para o escravo, mas é a marca do homem livre, do cidadão, do cristão. É muito bonito que a palavra latina com a qual São Jerónimo traduziu "carpinteiro" foi faber: José é também uma bela imagem de homo faber, é uma raiz do artigo 1º da Constituição italiana.

O cheiro da madeira fresca descascada de casa foi o mesmo que Jesus, no fim, cheirou de outra madeira fresca descascada, e talvez esse cheiro tenha sido o único habitante doméstico daquele dia terrível: "Na oficina de Joséf não foi poupado nenhum grau de treino, incluindo as marteladas nos dedos... Levou a árvore do patíbulo para o Gólgota, já una com ele. Quando os teve na carne, os cravos, quando os ouviu penetrar, encontrou-se pela primeira vez do lado da madeira... Ioséf voltou à sua vista. Cabia a ele, Ieshu, acabar como um pedaço de madeira esticado e entalhado. A sua vida era matéria-prima. A docilidade da madeira era a sua" (Erri de Luca).

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Editoriais - A Festa de São José

por Luigino Bruni

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Análise. Um ensaio recente e bem argumentado («O grande engano») oferece provocações úteis sobre um sistema atualmente dominante. O paradigma da gestão está sendo substituído pelo paradigma dos consultores

por Luigino Bruni

Original italiano publicado em Avvenire em 07/12/2023

O ensaio crítico "O Grande Engano" (Laterza), das economistas Mariana Mazzucato e Rosie Collington, é dedicado ao uso crescente da consultoria pelas empresas.

Por que as empresas de consultoria deixaram de ser uma ferramenta para ajudar as empresas e passaram a ser um ponto fraco das empresas, do governo e das instituições? Quando e por que a consultoria, um setor que hoje está perto de um trilhão de dólares, deixou de ser um recurso para se tornar a principal doença da nossa economia? The Big Con (O grande engano), o livro escrito pelas economistas Mariana Mazzucato e Rosie Collington (Laterza, 2023), trata exatamente dessas questões: «A nossa análise do setor de consultoria mostra um quadro sombrio da situação atual. Todos esses contratos com empresas de consultoria, que desempenham os mais variados papéis, enfraquecem as empresas, infantilizam o setor público e distorcem a economia» (p.12). Para entender a novidade do livro, é necessária uma longa introdução.

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O extraordinário sucesso da consultoria, talvez o fenômeno econômico mais significativo deste início de milênio, faz parte de uma mudança muito mais geral da nossa cultura, na qual o paradigma empresarial está experimentando um grande, inesperado e crescente sucesso. A lógica das grandes empresas tomou o primeiro lugar na vida cívica que era ocupado pela democracia no século XX. À pergunta: "quer fazer algo de bom na sociedade?", ontem a resposta era: "criar democracia, portanto, participação, reduzir as desigualdades, incluir o maior número possível de pessoas". Com base nessa resposta, imaginámos e construímos o bem-estar do século XX, os direitos humanos e sociais, a escola pública, a saúde universal, as pensões e a tributação progressiva. Com a virada do milênio, a essa mesma pergunta hoje se responde: "se quiser fazer algo bom, aprenda com as empresas, é lá que está a excelência, é lá que se fazem as coisas sérias". Assim, as grandes empresas com fins lucrativos (for-profit) passaram por uma verdadeira metamorfose simbólica e cultural: de ícones da exploração, da desigualdade e da alienação, tornaram-se o símbolo perfeito do novo mundo, o reino do mérito e da sua nova justiça, bem-estar e até mesmo felicidade, um mundo religioso construído sobre os dogmas da meritocracia, da liderança e dos incentivos. E assim, as grandes empresas, de centro de conflitos sociais, de lugar para onde olhar para entender as injustiças do capitalismo, deixaram a sua crisálida no velho milênio e tornaram-se uma bela borboleta civil e ética, que todas as outras instituições (da escola à política) gostariam e deveriam imitar, com um sucesso sem precedentes nas Igrejas e nos Movimentos e comunidades espirituais, onde agora não é mais possível ter um capítulo geral ou uma assembleia sem os profissionais da consultoria empresarial.

No entanto, a consultoria está emergindo como a segunda revolução recente, que em apenas alguns anos substituiu a primeira forma que a cultura corporativa assumiu na última parte do século XX, ou seja, a gestão científica. Com efeito, a primeira forma que a cultura da grande empresa moderna assumiu foi a gestão moderna, que, por sua vez, tomou o lugar da "antiga" gestão empresarial, embora sem substituir o antigo empresário e trabalhando com ele e para ele. Na verdade, a gestão científica é uma inovação que remonta às grandes empresas fabris da primeira metade do século XX (não é por acaso que falamos de "fordismo" e "taylorismo"), mas durante mais de meio século e para além da ciência da gestão permaneceu como assunto de engenheiros (não de economistas) e era aplicada principalmente à grande indústria. Foi nas décadas de 1980 e 1990 que a gestão científica se estendeu da fábrica para todos os tipos de organizações, também devido à transição tecnológica para o pós-fordismo. Com o final do milênio, o fordismo havia desaparecido em muitas regiões avançadas do mundo, mas não o seu modelo de gestão das relações de trabalho e de governança das relações de trabalho. Assim, as ferramentas e as técnicas de gestão tornaram-se cultura universal, que saiu da fábrica e entrou em toda a sociedade. O gestor, portanto, ocupa o lugar do empresário, por um lado, e do antigo gerente de escritório ou gerente público, por outro.

No entanto, na época de grande sucesso da administração moderna, algo realmente novo aconteceu. A sociedade líquida, que entrou pela primeira vez nas empresas, explodiu. Com trabalhadores líquidos, portanto frágeis e inseguros, a gestão deixou de funcionar, porque a empresa gerencial também precisava de trabalhadores já formados na ética da virtude na família e na comunidade. Em particular, o novo gestor ainda precisava da hierarquia e, portanto, de trabalhadores que a valorizassem e aceitassem ser orientados e "controlados" pelas ferramentas de gestão - essencialmente incentivos e controle. Assim, os gestores viram-se inundados por uma enorme demanda de atenção, reclamações, conflitos, crises relacionais coletivas e individuais, trabalhadores que estavam mudando muito profundamente. Por sua vez, os gestores dificilmente tinham lugares "superiores" para descarregar e compensar as tensões que acumulavam, porque as empresas perderam as famílias de empresários que as haviam gerado. A demanda pelo cuidado com os relacionamentos, que afetava os gestores de nível médio e superior, ficava bloqueada na gestão sem que houvesse outro lugar de supervisão para gerenciar essa demanda vinda da base das empresas.

Foi nesse contexto de grandes mudanças que a consultoria explodiu há alguns anos. Já existia há algumas décadas, mas com o século XXI tornou-se algo diferente e universal. Ao lado dos gestores e do que restava do empresário nas grandes empresas (muito pouco), surgiu uma infinidade de consultores muito diversificados, aos quais se juntaram psicólogos do trabalho, especialistas em felicidade e bem-estar no trabalho, filósofos práticos do significado, da missão e do propósito, mas também padres, freiras e especialistas em meditação transcendental e das espiritualidades arcaicas do Pacífico para acompanhamento e treinamento em espiritualidade empresarial, sem mencionar as novas figuras de coaches e conselheiros que se apresentam aos nossos alunos como a profissão segura do futuro. Assim, há meio século eram os empresários que lideravam as empresas, há trinta anos eram os gerentes, hoje são os consultores que estão substituindo os empresários e os gestores.

Em todo esse processo, dois fenômenos são analisados com cuidado especialpelas autoras do livro O Grande Engano: a infantilização das empresas e a terceirização de competências. A infantilização (tratada no capítulo 6) de governos, empresas e agora das organizações e de todas as instituições decorre de sua progressiva redução de autonomia. O livro, com dados concretos, mostra que está sendo criado uma verdadeira dependência (addiction) de consultores, aos quais recorrem empresários e gestores cada vez mais inseguros; e depois, como acontece em todos os vícios sem substância, para amanhã manter a mesma satisfação de hoje, tenho que aumentar a dose (p.156). Empresas e empresários reduzidos a crianças não autônomas, que, para tomar decisões, recorrem ao mundo exterior em busca de segurança - a presença de grandes empresas de consultoria é também uma espécie de "certificação" dos relacionamentos e gerenciamento de emoções, semelhante às antigas certificações de qualidade.

Eis por que a consultoria não cresce por oferta induzida; não, ela é orientada pela procura, porque são as empresas (e as instituições) que - viciadas - solicitam cada vez mais: "A oferta é uma resposta a uma procura" (p.104). Os consultores também desempenham uma função psicológica (p.127). A infantilização é, portanto, uma perda de autonomia nas decisões e, portanto, de responsabilidade e controle sobre as escolhas que são "contratadas" a terceiros que acabam por ser os verdadeiros gestores das instituições atuais. As autoras também veem a política nacional e internacional conduzida principalmente por consultores, com um enorme problema de conflito de interesses, pois são as mesmas empresas de consultoria que, por um lado, ajudam os governos a reduzir o impacto ambiental e, por outro, ajudam as empresas a aumentá-lo (p.241).

Interessante, também, é um ponto destacado na parte central do livro: a parcela de valor agregado que vai para a consultoria não é tecnicamente lucro, mas uma receita (pp. 103 e seguintes), porque faz parte de um jogo de soma zero com os empresários, uma espécie de imposto invisível que, não raro, é transferido para os preços dos bens de consumo. Há, por fim, um último grande perigo que as autoras denunciam. É aquele representado pelo crescimento, no capitalismo atual, de um poder sem responsabilidade, porque os consultores não podem e não querem responder pelas consequências dos seus conselhos, que são cada vez mais substitutivos e não subsidiários das decisões das empresas. Portanto, não é apenas a economia que está entrando em crise, mas - como Mazzucato e Collingon repetem muitas vezes - é todo o sistema democrático que está sofrendo.

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Análise. Um ensaio recente e bem argumentado («O grande engano») oferece provocações úteis sobre um sistema atualmente dominante. O paradigma da gestão está sendo substituído pelo paradigma dos consultores

por Luigino Bruni

Original italiano publicado em Avvenire em 07/12/2023

O ensaio crítico "O Grande Engano" (Laterza), das economistas Mariana Mazzucato e Rosie Collington, é dedicado ao uso crescente da consultoria pelas empresas.

Por que as empresas de consultoria deixaram de ser uma ferramenta para ajudar as empresas e passaram a ser um ponto fraco das empresas, do governo e das instituições? Quando e por que a consultoria, um setor que hoje está perto de um trilhão de dólares, deixou de ser um recurso para se tornar a principal doença da nossa economia? The Big Con (O grande engano), o livro escrito pelas economistas Mariana Mazzucato e Rosie Collington (Laterza, 2023), trata exatamente dessas questões: «A nossa análise do setor de consultoria mostra um quadro sombrio da situação atual. Todos esses contratos com empresas de consultoria, que desempenham os mais variados papéis, enfraquecem as empresas, infantilizam o setor público e distorcem a economia» (p.12). Para entender a novidade do livro, é necessária uma longa introdução.

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Das empresas ao capitalismo, a consultoria leva tudo?

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Editoriais - A religião do consumo e os novos cultos

por Luigino Bruni

Original italiano publicado em Avvenire em 24/11/2023

A Black Friday tornou-se o início do ano litúrgico da religião capitalista. Como qualquer nova religião que pretende suplantar uma pré-existente, o capitalismo do consumo substitui as festas cristãs pelas suas novas festas e sobrepõe os seus tempos litúrgicos aos antigos. Quando uma religião toma o lugar de outra, ela não muda o ritmo antigo do tempo sagrado, simplesmente o ocupa e muda o seu significado. Na verdade, é interessante que a Black Friday siga o Dia de Ação de Graças, um dos feriados religiosos dos primeiros peregrinos.

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E assim, depois de há muito tempo ter devolvido o Natal à sua natureza original de festa pagã (o "sol invinctus" dos romanos), e depois de ter transformado em lucro as festas ancestrais dos mortos com o Halloween, o consumismo introduziu seu advento.

É esta substituição das festas que mostra, de forma muito eficaz, que entramos na era pós-cristã. Porque, como o grande filósofo e teólogo russo Pavel Florensky nos lembrou no outono de 1921: "O ponto de partida da cultura é o culto porque a realidade original, na religião, não são os dogmas ou mesmo os mitos, mas o culto, ou seja, uma realidade concreta". Nenhuma religião se torna cultura sem culto, e o consumismo tornou-se religião porque o nosso mundo está imerso no culto do consumo. E, tal como na Idade Média o cristianismo se tornou cultura porque a religião cristã entrou em todas as ações e gestos da vida das pessoas (sinos, orações, calendários, festas, espaços medidos em Ave-Marias, palavras, narrativas...), hoje a economia tornou-se uma cultura universal graças ao seu culto e aos cultos diários (compra, venda, publicidade, medição, linguagem, narrativas e storytelling das empresas).

Enquanto Florensky proferia as suas palestras sobre filosofia na Academia Teológica de Moscou/Moscovo, nos mesmos meses o filósofo judeu Walter Benjamin escrevia as suas notas sobre o capitalismo como religião, algumas das páginas mais proféticas do século XX: "O capitalismo é uma religião puramente cultual, talvez a mais extrema que já existiu. Tudo nele tem significado apenas em relação imediata com o culto; ele não conhece nenhuma dogmática específica, nenhuma teologia". Uma religião apenas de práxis, apenas de culto, sem metafísica: "A transcendência de Deus caiu. Esta passagem do planeta “humano” pela casa do desespero, na solidão absoluta da sua própria órbita, é o ethos que Nietzsche caracteriza. Este homem é o super-homem, o primeiro que, reconhecendo a religião capitalista, começa a cumpri-la". Assim, para Benjamin, "o cristianismo na era da Reforma não facilitou o surgimento do capitalismo, mas transformou-se no capitalismo". E a questão passa a ser: quem é o super-homem do capitalismo, aquele sobre-homem, capaz de viver em um mundo onde o Deus (judaico-cristão) está morto porque "nós o matámos" (La Gaia Scienza)?

Após as análises de Max Weber, pensámos que o grande herói do capitalismo (protestante-calvinista), o seu super-homem, fosse o empresário, um protagonista não muito diferente do capitalista de Marx e do industrial de Saint-Simon. Para Benjamin, no entanto, esse não é o caso, ou pelo menos já não é assim. A primeira temporada do capitalismo nos séculos XIX e XX teve como herói o empresário-capitalista, que através do sucesso nos negócios, esperava ser abençoado e predestinado.

Mas com a virada do milênio, o super-homem do capitalismo tornou-se o consumidor. Além disso, a característica marcante da nova religião depuro culto é, para Benjamin, "a duração permanente da adoração", porque "o capitalismo é a celebração um culto 'implacável e impiedoso'".

Não há dias úteis; não há dia que não seja feriado, no sentido assustador do desenrolar de toda a pompa sagrada, do esforço extremo do adorador". O sonho do consumidor-devoto é uma Black Friday de 24 horas que dure o ano inteiro, um mundo onde o sacrifício (o desconto) seja permanente - o sacrifício é oferecido pelas empresas ao consumidor, invertendo a lógica original dos sacrifícios tradicionais, dizendo-nos que o ídolo-super-homem não é o lucro da empresa, nem a mercadoria, mas o consumidor.

Enquanto o capitalismo se expressou como uma ética da empresa e do trabalho, este permaneceu um assunto elitista e de classe; foi a transição da empresa para o consumo que o transformou em uma religião universal (católica) e popular, que ocupou plena e profundamente a alma dos povos comunitários do Sul, aqueles ligados à ética da vergonha e do consumo conspícuo, onde a retórica produtiva não havia conseguido entrar. O culto universal só poderia ter lugar saindo da fábrica e entrando nos consumos, onde a bênção é obtida simplesmente consumindo, de preferência com recurso a crédito, uma dívida da qual o novo capitalismo conseguiu eliminar o antigo sentimento de culpa.

Toda a religião popular tende a multiplicar as suas festas, porque agradam ao povo e agradam aos sacerdotes, que lucram com elas. Na década de 1740, Antonio Ludovico Muratori lançou uma forte batalha cultural e política para tentar convencer papas e bispos da importância de reduzir o número de dias santos de guarda na Igreja Católica, que naqueles anos haviam sido fixadas em trinta e seis por ano, além dos domingos. O padre Muratori queria reduzir o número de festas porque estava convencido de que a proliferação das festas piorava a condição dos pobres: "Como ficam os pobres?" (Carta de 14.8.1742). O grande número de festas não só reduzia os dias de trabalho, como também levava os pobres a se endividarem para celebrar. Ontem e hoje.

Com o avanço do novo culto consumista, devemos esperar uma nova proliferação de festas de preceito, porque o consumidor deve ser venerado. Novas festas serão acrescentadas às antigas transformadas. Os novos sacerdotes enriquecerão graças aos seus "sacrifícios", e os pobres ficarão cada vez mais distraídos e cada vez mais pobres.

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Editoriais - A religião do consumo e os novos cultos

por Luigino Bruni

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Endividar-se para celebrar

Endividar-se para celebrar

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A análise. AApós as comemorações do 1º de Maio, eis uma ótima oportunidade para "pensar" sobre uma dimensão fundamental da vida das pessoas e das comunidades.

por Luigino Bruni

Original italiano publicado no site Avvenire em 03/05/2023

«Falai-nos de melhorias materiais, de liberdade e de felicidade… Pregai o Dever aos nossos patrões, às classes que estão por cima de nós e que, tratando-nos como máquinas, monopolizam os bens pertencentes a todos. Falai-nos de direitos; falai-nos dos modos de reivindicá-los... Deixai-nos ter uma existência reconhecida». Esta página não foi retirada do relatório do último congresso sindical; estas são as palavras de Giuseppe Mazzini, do seu Deveres do homem (1860). E é a paradoxal atualidade destas palavras antigas que nos diz o bom motivo pelo qual estamos comemorando, mais uma vez, o 1º de Maio.

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As festas não são todas iguais. Geralmente, comemora-se com o protagonista da festa: leva-se o santo em procissão, homenageiam-se os mortos no cemitério, comemora-se um aniversário junto com o aniversariante. O 1º de Maio, por outro lado, é um feriado diferente: honra-se o trabalho não trabalhando, comemora-se sem o aniversariante. O motivo é simples e essencial: o 1º de Maio é o dia do trabalho dos homens e das mulheres livres, que não eram mais escravos porque podiam não trabalhar - nenhum escravo jamais comemorou o seu trabalho. Nós, então, comemoramos o trabalho sem trabalhar, e só devemos comemorá-lo dessa forma.

Mas nesse abençoado dia de não-trabalho, foi possível pensar sobre o trabalho, sobre o nosso trabalho e o trabalho dos outros, sobre o trabalho de quem trabalha e o não-trabalho dos desempregados. Não há negotium e permanece o otium, permanece o tempo bom para o pensamento livre (a primeira liberdade do trabalho consiste em poder, de vez em quando, também pensar sobre ele). Pensar apenas sobre o trabalho, para que não aconteça que a ênfase nos adjetivos (seguro, estável, digno, bom...) nos faça esquecer o substantivo: trabalho. O 1º de Maio torna-se, então, o dia da grande pergunta: o que é o trabalho?

Retrocedemos à origem das civilizações e encontramos o trabalho associado à dor - labor, arbeit, ponos, travaglio - são palavras arcaicas que se referem à fadiga, ao arado ou "à palavra pré-germânica orbho, servo" (R. Michels, "Economia e Felicidade", 1918, p. 7). Fadiga e dor têm sido as principais palavras do trabalho durante milênios, até ontem, até hoje. O Dia do Trabalho também é um dia de lembrança das demasiadas vítimas de um trabalho que não é amigo dos homens, das mulheres e das crianças. É um feriado sério, que também e acima de tudo lembra o que o trabalho não foi por muito tempo e continua não sendo em muitos lugares do mundo.

Hoje de manhã, assim que acordei, encontrei uma mensagem da Giovanna no meu celular/telemóvel. Aqui está: «Eles estão me contratando, estão me contratando para o ano inteiro, um contrato regular, escrito». E depois uma longa linha de pontos de exclamação. Eu não podia vê-los, mas tenho a certeza de que os dedos com os quais ela digitou a mensagem estavam molhados de lágrimas: finalmente tinha sido contratada com um contrato "escrito" depois de anos de biscates "sem contrato escrito" limpando as casas dos senhores. Os biscates terminaram e o trabalho começou. Então, ontem à noite, em casa, soube que um amigo meu idoso com problemas de demência não pode mais ficar sozinho, porque sai de casa e se perde. Mas a única "coisa" que ele pode fazer "sozinho" é voltar ao parque onde sempre trabalhou como jardineiro e lá passar horas cuidando de suas plantas: quando ele volta lá, reencontra o "Piero" que era e ainda é, ele misteriosamente se reconecta consigo mesmo. Ao tocar as suas plantas com as mãos toca o seu coração e ainda o reconhece, pois ali a inteligência de suas mãos ainda está viva.

O trabalho é muitas coisas; é também o choro da Giovanna (o do contrato de hoje e o dos não-contratos de ontem), é a mão amiga que leva Piero para casa quando todos os outros caminhos já não estão lá. Esses dois encontros foram a minha comemoração do 1º de Maio.

E, por fim, pensei no belo Artigo Primeiro da Constituição (italiana), que nunca me cansarei de reescrever: "A Itália é uma república democrática fundada no trabalho" (agora os dedos molhados são os meus). Todas as gerações devem reler e compreender o significado desta frase. O trabalho que colocamos no primeiro parágrafo da nossa Constituição não foi o trabalho "não registado" de Giovanna, embora não devamos pensar que, nos anos em que ela trabalhou sem contrato para garantir o sustento dos filhos, ela tenha saído do perímetro do Artigo Primeiro: podemos nos salvar mesmo em trabalhos ruins que não escolhemos porque não temos escolha, já fizemos isso muitas vezes. O trabalho que a Assembleia Constituinte tinha em mente, no entanto, era um outro trabalho, que nem sempre chegou, que nem sempre chega, que não chega a todos, que quase nunca chega aos pobres. Mas que pode sempre chegar, que deve chegar. Então pensei que somos nós, seres humanos livres, que damos dignidade ao trabalho: uma atividade realizada por uma mulher ou um homem se torna melhor, porque lhe transmitimos a nossa dignidade, que não teria em tão alto grau se fosse uma máquina a realizá-la. Aquela imagem de Deus que a Bíblia nos quis dar, nós a transmitimos, um pouco, também às coisas que fazemos e tocamos ao trabalhar.

E, no final, pensei que o trabalho poderia fundar a República porque, naquele mundo, o trabalho se baseava em algo maior do que o trabalho. O trabalho é um bom alicerce da democracia se antes e depois do trabalho houver algo ainda mais profundo: a família, a comunidade, o bem comum, uma terra prometida a ser alcançada em conjunto. O trabalho não se baseia em si mesmo. Quando saímos do escritório e um deserto relacional nos espera lá, esse trabalho é fraco demais para fundar a República. Hoje, o trabalho está em crise, e muito mais do que julgamos, porque o território civil e espiritual ao seu redor está sendo desertificado. Isso era bem conhecido há mais de dois mil anos pelo sábio Qohélet, que se perguntava: «Há um que é só, e não tem ninguém, nem tampouco filho nem irmão; e contudo não cessa do seu trabalho, e também seus olhos não se satisfazem com riqueza; nem diz: Para quem trabalho eu, privando a minha alma do bem? Também isto é vaidade e enfadonha ocupação» (Ecl 4, 8). O processo cada vez maior da "Grande Demissão" (Big Quit) de milhões de pessoas (especialmente jovens) não é apenas, nem principalmente, um dos efeitos do pós-Covid; é também uma crise da relação entre o trabalho e a vida nas novas gerações. «Para quem trabalho eu, privando a minha alma do bem?» sempre foi a primeira pergunta sobre o trabalho, à qual até há poucos anos sabíamos como responder. Não se trabalha apenas para si mesmos. O trabalho se alimenta das virtudes civis e das paixões ao seu redor e, quando essas são demasiado pequenas e escassas, o trabalho se extingue. Hoje, o trabalho sofre fora do trabalho, ele deve ser revisto a partir daí.

No mundo que desencantámos, o super-homem não chegou; em seu lugar apareceu o homo oeconomicus, com seus perenes cultos de consumo. Mas o homo oeconomicus não consegue trabalhar a não ser que se torne maior do que o seu trabalho. Aqueles que querem salvar o trabalho hoje devem plantar árvores na terra árida das comunidades e depois cuidar delas. Não salvaremos o trabalho fazendo com que as empresas se concentrem cada vez mais no bem-estar no trabalho: é no bem-estar não laboral que a qualidade do trabalho de amanhã está sendo decidida.

Créditos foto: © Livio Bertola

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A análise. AApós as comemorações do 1º de Maio, eis uma ótima oportunidade para "pensar" sobre uma dimensão fundamental da vida das pessoas e das comunidades.

por Luigino Bruni

Original italiano publicado no site Avvenire em 03/05/2023

«Falai-nos de melhorias materiais, de liberdade e de felicidade… Pregai o Dever aos nossos patrões, às classes que estão por cima de nós e que, tratando-nos como máquinas, monopolizam os bens pertencentes a todos. Falai-nos de direitos; falai-nos dos modos de reivindicá-los... Deixai-nos ter uma existência reconhecida». Esta página não foi retirada do relatório do último congresso sindical; estas são as palavras de Giuseppe Mazzini, do seu Deveres do homem (1860). E é a paradoxal atualidade destas palavras antigas que nos diz o bom motivo pelo qual estamos comemorando, mais uma vez, o 1º de Maio.

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1º de maio. O trabalho parte de uma pergunta. Por quê, e por quem, o nosso esforço?

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Opiniões - O mercado em duas pequenas histórias de agosto

por Luigino Bruni

publicado no site Avvenire em 28/08/2022

«Está tudo ok?», pergunta o caixa da pizzaria para Domenico. Ele diz: «Na verdade, não: a pizza não estava boa». Imediatamente o proprietário chega junto com o pizzaiolo e comentam: «Ele tem razão: ontem a massa ficou ruim, lamentamos muito, da próxima vez você verá como são boas as pizzas que fazemos». Depois deste diálogo, meu amigo paga, e na conta as pizzas foram cobradas ao preço normal do menu. «Nunca mais porei os pés naquela pizzaria», foi o seu comentário final.

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Fui com o meu irmão visitar uma aldeia na região de Marche, na Itália. Procuramos um restaurante, o proprietário nos recebe dizendo que só servem o menu turístico: rigatoni 'alla castignanese' e espetos grelhados. A massa chega e era uma tagliatella com cogumelos (boa). Quando os espetos chegam, eu não escuto o conselho de meu irmão ("esquece"), pergunto à empregada de mesa o porquê da troca de prato, e ela pede desculpas pelo erro. Pouco tempo depois, recebemos da cozinha uma degustação de rigatoni. O proprietário então sai para pedir desculpas pessoalmente e nos traz algumas (excelentes) azeitonas ascolanas. Obviamente, nem os rigatoni nem a porção de azeitonas entraram na conta, e deixámos uma gorjeta.

O pizzaiolo não fez nada de ilegal nem violou o contrato, e se o dono do restaurante não tivesse oferecido rigatoni e azeitonas, ele não teria feito nada de repreensível. O possível desconto do pizzaiolo e o "mais" do restaurante não eram devidos, ambos não eram necessários. Mas é precisamente nestes comportamentos não-necessários que reside um dos segredos do difícil trabalho do empresário, talvez a sua dimensão mais importante.

Uma pergunta: porque é que o proprietário saiu pessoalmente para pedir desculpas e depois nos ofereceu rigatoni e azeitonas? Porque, muito simplesmente, ele também queria que eu e meu irmão Ivan fôssemos embora contentes. Ele realmente se preocupou com nossa satisfação, havia algo de intrínseco, sincero e genuíno em sua escolha. Ficar apenas com o seu ganho era demasiado pouco para ele.

E isto abre um importante debate para as empresas, para a economia e para a sociedade. Os economistas fundadores e mestres da ciência econômica (A. Smith, A. Genovesi, D. Ricardo, V. Pareto, A. Sen) sempre repetiram que a lei de ouro da economia de mercado é o benefício mútuo, não o interesse pessoal. A reciprocidade é a pedra angular da economia de mercado. Estes temas, que ocasionalmente (infelizmente nem sempre) são ensinados aos estudantes de economia, podem parecer abstratos ou de pouca utilidade para a vida concreta das pessoas, até se entrar em pizzarias, em restaurantes, em indústrias metalúrgicas, em seguradoras ou em agências imobiliárias, no mercado de gás. O bom empresário sabe que a satisfação real (não falsa nem enganada) daqueles que estão do outro lado do contrato (clientes, fornecedores, trabalhadores) é uma parte essencial de seu negócio. Porque ele sabe que se um cliente deixa o local insatisfeito, não é um simples inconveniente.

Naquela falta de satisfação mútua está o fracasso de seu trabalho, não aconteceu algo marginal ou secundário, ele agiu contra a natureza (o telos, como diziam os gregos) de seu trabalho. Para o bom empresário, o seu lucro é demasiado pouco, e por isso ele procura intencionalmente também o bem-estar daqueles que interagem com ele, com ela, porque tem uma necessidade vital disso. Quando cumprimentamos e ao nosso "obrigado" o lojista responde "obrigada a você", estamos dizendo algo mais do que uma palavra gentil: estamos reconhecendo a natureza recíproca da economia.

Fazer com que os clientes saiam satisfeitos não é apenas uma estratégia inteligente a longo prazo (o cliente satisfeito pode voltar), nem simplesmente uma questão de reputação. Há muito mais: por trás desses rigatoni e azeitonas há uma vocação empresarial, há a dignidade de uma profissão muitas vezes mal-entendida, mas essencial para o bem comum. A verdadeira customer satisfaction - satisfação do cliente - nasceu nas cidades italianas dos séculos XIII e XIV, quando no coração dos novos Municípios se entendeu que o comércio era o outro nome da civilização, que o bom comerciante era acima de tudo um construtor de reciprocidade civil, e quando esta reciprocidade reconhecida e desejada é quebrada, perde-se o espírito bom de toda a sociedade.

Os pizzaiolo como aqueles do meu amigo e os donos de restaurantes como aquele de Castignano vivem e trabalham uns ao lado dos outros, todos nós sabemos e vemos isso; mas no dia em que os primeiros se tornassem mais numerosos do que os segundos, talvez convencendo a todos que comportamentos como o do meu restaurante são apenas um romantismo prejudicial, esse dia seria um momento muito triste para a sociedade e para a economia. Há muito mais alma nos mercados diários do que a que podemos ver, e também os políticos que se candidatam a liderar o País deveriam nos ajudar a protegê-la.

 

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Opiniões - O mercado em duas pequenas histórias de agosto

por Luigino Bruni

publicado no site Avvenire em 28/08/2022

«Está tudo ok?», pergunta o caixa da pizzaria para Domenico. Ele diz: «Na verdade, não: a pizza não estava boa». Imediatamente o proprietário chega junto com o pizzaiolo e comentam: «Ele tem razão: ontem a massa ficou ruim, lamentamos muito, da próxima vez você verá como são boas as pizzas que fazemos». Depois deste diálogo, meu amigo paga, e na conta as pizzas foram cobradas ao preço normal do menu. «Nunca mais porei os pés naquela pizzaria», foi o seu comentário final.

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Sim, o lucro é demasiado pouco

Sim, o lucro é demasiado pouco

Opiniões - O mercado em duas pequenas histórias de agosto por Luigino Bruni publicado no site Avvenire em 28/08/2022 «Está tudo ok?», pergunta o caixa da pizzaria para Domenico. Ele diz: «Na verdade, não: a pizza não estava boa». Imediatamente o proprietário chega junto com o pizzaiolo e comentam...
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Editoriais - Black friday e a religião do consumo

por Luigino Bruni

original italiano publicado em Avvenire em 26/11/2021

Para que uma civilização (em declínio) tenha uma nova religião que substitua a existente, ela precisa trabalhar sobre as datas festivas. Ocupar e ‘rebatizar’ as antigas festas populares, deixar a data e às vezes o nome e mudar o seu significado - com o advento do cristianismo, o Romano Sol Invinctus tornou-se o Natal, o feriado de Augusto (Ferragosto) tornou-se a Assunção, o culto dos mortos tornou-se o Dia de Todos os Santos... E então, como segundo ato fundamental, é preciso introduzir novas festas para celebrar as especificidades do novo culto. A black friday (Sexta-feira Preta) combina estas duas características: é uma festa específica do culto capitalista-consumista, que está ligada a uma festividade da religião anterior, o Dia de Ação de Graças, cujo lugar está sendo ocupado (a black friday começou há quase um século atrás como o dia depois do Dia de Ação de Graças, e agora o Dia de Ação de Graças se tornou a véspera da «black friday»). A religião capitalista está assim fazendo com o cristianismo o que este fez na Europa com os cultos romanos e indígenas.

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Primeiro ocupou as festas cristãs e agora está introduzindo novas festas. Entre estas, a mais poderosa é aquela celebrada hoje em todo o mundo, em todas as latitudes, por homens e mulheres, crianças e idosos, que ultrapassa as barreiras culturais e políticas. A promessa do cristianismo de salvação eterna foi substituída por um desconto. Uma pequena salvação, mas muito mais ao alcance e concreta do que o céu e o purgatório. Salvação universal para todos, muito católica e não muito protestante, porque aqui se salva somente pelas obras, não é necessária a fé. Este ano, assim, a black friday também introduziu a novidade do Advento (ou da Quaresma), como convém às grandes festas de guarda: duas semanas de ofertas - note-se a palavra religiosa - para preparar-se espiritualmente para a grande última sexta-feira sagrada do mês, quando as ofertas serão perfeitas, e o culto perfeito. E assim, depois de dois milênios, o pós-cristianismo se encontra em uma nova religião pagã, muito mais semelhante aos cultos cananeus do que à civilização do triunfo da razão do iluminismo.

E ainda assim, primeiro Marx, depois Benjamin - ambos judeus e especialistas em religião e idolatria - nos advertiram que a força do capitalismo estava precisamente em sua natureza como uma nova religião sem metafísica, uma religião de culto puro. Mas nós não os escutamos. Foi suficiente o ‘arco temporal de uma vida’ (meu pai nasceu em um mundo e morrerá em outro) para apagar da alma coletiva ocidental a herança clássica e cristã. Toda aquela herança moral, aquela cultura nascida da mistura da ética greco-romana, bíblica e cristã, foi varrida em poucas décadas. A própria Igreja, e as grandes religiões em geral, não notaram isto, e certamente não se deram conta o suficiente. Elas subestimaram profunda e gravemente o que estava acontecendo na alma coletiva do Ocidente.

Ao mundo religioso faltava uma consciência crítica atenta, um pensamento suficientemente profundo para entender que uma verdadeira mudança epocal e definitiva estava ocorrendo no crepúsculo do segundo milênio. As Igrejas estavam muito ocupadas combatendo com suas últimas forças intelectuais os restos do comunismo, do ateísmo e do relativismo, quase sempre aliadas aos defensores da herança errada do nosso passado, e por isso não perceberam que enquanto lutavam essas batalhas menores e muitas vezes inúteis, o consumismo, ou seja, a versão que o niilismo assumiu dentro da forma capitalista de vida, estava ocupando completamente a alma das pessoas. E o fez da maneira mais radical, enchendo as almas de coisas, ocupando com mercadorias todo o espaço interior onde se cultiva qualquer espiritualidade autêntica e, portanto, não-comercial.

Nabucodonosor voltou, mas não precisou de nos cercar para nos conquistar, pois lhe abrimos as muralhas da cidade e a porta do santuário. Já estamos no exílio ao longo dos rios da Babilônia, mas pensamos que são os rios de férias exóticas ou as termas dos SPA. Já estamos por trás das novas procissões do deus Marduk, mas ainda acreditamos que estamos carregando o dossel do santo padroeiro da festa do país. Pierpaolo Pasolini foi um dos poucos profetas leigos inescutado que conseguiu captar a essência da grande mudança espiritual provocada pela civilização consumista: «Nenhum centralismo fascista conseguiu fazer o que o centralismo da civilização consumista fez. O fascismo propunha um modelo reacionário e monumental que, porém, permanecia como letra morta. As diversas culturas particulares (camponesas, subproletárias, trabalhadoras) continuaram imperturbavelmente a se conformar a seus antigos modelos: a repressão se limitava a obter sua adesão por palavras. Hoje, pelo contrário, a adesão aos modelos impostos pelo Centro é incondicional. Os verdadeiros modelos culturais são rejeitados. A abjuração está completa» (‘Corriere della sera’, 9 de dezembro de 1973). O primeiro dogma da nova religião é o consumo absoluto, sem "se" e sem "mas".

A sociedade tradicional havia colocado as poupanças no centro da economia. Saber poupar, não gastar toda a renda/rendimento, era até ontem considerada a virtude econômica mais importante, e desperdiçar dinheiro em compras desnecessárias era o principal vício das famílias. Até porque, graças à mediação dos bancos, a poupança tornou-se um investimento empresarial e, portanto, trabalho. O novo culto transformou virtudes em vícios e vícios em virtudes, e os bancos começaram a fazer outras coisas com as nossas economias. E agora os governos e as instituições econômicas nacionais e internacionais estão cada vez mais preocupados porque as famílias não estão consumindo o suficiente, porque não estão traduzindo em consumo toda a nova receita da fraca recuperação. Todos alarmados e escandalizados porque as famílias, após esses quase dois anos de medo e terror sem precedentes, estão colocando de lado algumas economias. A prudência deixou de ser uma virtude cardeal para se tornar um vício capital. Porque aqueles que não consomem toda sua receita não impulsionam o consumo e bloqueiam o crescimento. Economizar é o novo vício público, que restringe a virtude privada do consumo.
Como se o consumo fosse todo igual, como se os bens fossem todos iguais, como se não houvesse bens privados, bens públicos, bens comuns, bens meritórios, bens relacionais, bens espirituais... Portanto, não deve nos surpreender que nas liturgias da black friday não façam referência à qualidade do consumo, não mencionem quais produtos comprar, não mencionem os aspectos ambientais, sobre o impacto desses consumos para o planeta. Como se não tivéssemos acabado de ter o fracasso substancial do Cop26, como se as adolescentes e os adolescentes não estivessem nos pedindo há anos para mudar o consumo e os estilos de vida, como se a Terra não estivesse nos pedindo isso, como se Francisco não estivesse nos pedindo isso. Como se esta quantidade e qualidade de consumo não fossem insustentáveis, erradas e irresponsáveis há demasiado tempo. Como se os bens não tivessem uma alma.

Fotos de Karolina Grabowska da Pexels

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Editoriais - Black friday e a religião do consumo

por Luigino Bruni

original italiano publicado em Avvenire em 26/11/2021

Para que uma civilização (em declínio) tenha uma nova religião que substitua a existente, ela precisa trabalhar sobre as datas festivas. Ocupar e ‘rebatizar’ as antigas festas populares, deixar a data e às vezes o nome e mudar o seu significado - com o advento do cristianismo, o Romano Sol Invinctus tornou-se o Natal, o feriado de Augusto (Ferragosto) tornou-se a Assunção, o culto dos mortos tornou-se o Dia de Todos os Santos... E então, como segundo ato fundamental, é preciso introduzir novas festas para celebrar as especificidades do novo culto. A black friday (Sexta-feira Preta) combina estas duas características: é uma festa específica do culto capitalista-consumista, que está ligada a uma festividade da religião anterior, o Dia de Ação de Graças, cujo lugar está sendo ocupado (a black friday começou há quase um século atrás como o dia depois do Dia de Ação de Graças, e agora o Dia de Ação de Graças se tornou a véspera da «black friday»). A religião capitalista está assim fazendo com o cristianismo o que este fez na Europa com os cultos romanos e indígenas.

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Como bens sem alma

Como bens sem alma

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Editorial - Provações e vítimas de hoje, a historia de ontem     

por Luigino Bruni

publicado no site Avvenire em 31/12/2020

A dimensão coletiva do medo e da morte, esse é um legado que 2020 nos deixa. Tínhamos esquecido os grandes medos coletivos, tínhamos relegado a morte à intimidade da família e à solidão do coração dos indivíduos. E aprendemos que uma casa é muito pequena para processar a dor do luto, porque para não morrer junto com aqueles que amamos, precisaríamos da força de uma comunidade inteira. Dentro da mesma tempestade sentimos o mesmo medo, compartilhamos o medo de ter o medo da morte, e tendo compartilhado, isso não nos oprimiu.

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Não sabemos como sairemos deste annus horribilis. Certamente sairemos dele sem uma boa parte daquela geração nascida em uma Itália muito pobre e que morreu em uma Itália rica. Pais e avós que com suas virtudes, suas pietas e sua fé popular geraram famílias, empresas e democracia. Maçaricos, camponeses e donas de casa que souberam usar as pedras dos escombros da guerra para construir catedrais sociais e econômicas. Todos nós sofremos ao vê-los morrer, muitas vezes sozinhos, porque sentimos que algo de errado e profundamente injusto estava acontecendo. Era uma geração que havia caminhado atrás de uma grande estrela ética: "A felicidade mais importante não é a nossa, mas a de nossos filhos". Eles se sacrificaram porque o valor do futuro era maior para eles do que o do presente.

Entretanto, especialmente as mulheres, depois de passar sua juventude cuidando dos filhos e dos pais, renunciando inumeras vezes ao próprio florescimento profissional, se viram envelhecendo e depois morrendo fora de casa.

Portanto, uma primeira lição deste ano é sobre a cultura do envelhecimento que nos falta em demasia. Em apenas algumas décadas desperdiçamos uma boa arte de envelhecer e morrer, aprendida ao longo dos milênios, e enquanto esperamos para encontrar uma nova arte, estamos fazendo nossas mães e avós pagarem uma conta muito alta, pois deixaram esta terra com um enorme e inestimável crédito do cuidado e da dedicação. Também aqui está uma raiz do luto deste ano, em uma dívida coletiva da qual tomamos consciência no momento em que ela estava sendo extinta.

A história conheceu outros anos horríveis. Em 536 d.C., um misterioso nevoeiro (vulcânico) mergulhou a Europa e partes da Ásia na escuridão quase total durante cerca de um ano e meio. Assim começou a década mais fria em dois mil anos, com neve no verão, colheitas destruídas da Europa à China, e uma fome muito severa e prolongada. Em 1347-48 foi o ano da chegada da Peste Negra, um enorme massacre que dizimou um terço da população europeia. Em Florença, que foi particularmente atingida, três grandes mudanças foram geradas por aquele desastre. Para ler as crônicas de Matteo Villani e outros escritores florentinos, o final de 1348 marcou o início de uma concepção moral perversa da vida e de uma maior negligência. O retorno à vida depois de tudo isso, gerou uma corrida frenética ao luxo, para beber o cálice da vida encontrado até a sua última gota. Um novo desperdício e corrupção ampliados pelas grandes heranças deixadas por aqueles que morreram da peste: todo aquele dinheiro que fluiu para os cofres dos florentinos acabou, em boa parte, nos bolsos errados.

Mas houveram outros efeitos de natureza diferente. Os Prefeitos da cidade adotaram medidas para ajudar os devedores que se tornaram insolventes em consequência da peste, e em 1352 foi criado um escritório para os direitos das artes e profissões em Florença, em benefício dos devedores insolventes. Finalmente, 1349 foi um ano de grande desenvolvimento para Florença em termos de bibliotecas e investimento em livros e obras de arte. O governo da cidade refundou o Florentine Studium, as bibliotecas de Santa Croce e Santa Maria Novella foram ampliadas e vários incentivos foram criados para a compra de manuscritos. Esses investimentos culturais foram decisivos para o início do Humanismo civil, um dos mais inesperados e extraordinários efeitos colaterais daquela peste negra. Cidadãos, dominicanos e franciscanos entenderam que o caminho para recomeçar depois da grande catástrofe não era a corrida pelo luxo, nem a busca frenética pelos prazeres da vida para esquecer a morte; eles sentiram, ao invés disso, que seriam ressuscitados se uma nova cultura escrevesse códigos simbólicos para uma Renascença.

Em 540, enquanto a Europa passava pela mais dura fome do primeiro milênio, em Montecassino, São Bento escreveu sua Regra, que marcou o início da extraordinária estação do monaquismo ocidental, essencial para o renascimento após o Império Romano. A peste em Florença gerou o "Decameron", uma das obras-primas absolutas da literatura mundial, iniciada por Boccaccio em 1349, com a peste ainda em curso, com o objetivo de consolar o seu povo: "A parte humana é ter compaixão pelos aflitos", essas foram as suas primeiras palavras.

Não podemos sair das grandes crises sem artistas e profetas. Seus consolos são os que são verdadeiramente necessários para a recuperação. A ajuda econômica é importante, especialmente se for destinada a evitar a insolvência de devedores, mas não é suficiente, e pode complicar o caminho se, como muitas vezes acontece, ela acabar nos lugares errados. Os artistas e profetas de hoje são diferentes daqueles que nos salvaram em séculos passados. Mas, desta vez também, sairemos melhor se formos capazes de gerar artistas e profetas.

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Editorial - Provações e vítimas de hoje, a historia de ontem     

por Luigino Bruni

publicado no site Avvenire em 31/12/2020

A dimensão coletiva do medo e da morte, esse é um legado que 2020 nos deixa. Tínhamos esquecido os grandes medos coletivos, tínhamos relegado a morte à intimidade da família e à solidão do coração dos indivíduos. E aprendemos que uma casa é muito pequena para processar a dor do luto, porque para não morrer junto com aqueles que amamos, precisaríamos da força de uma comunidade inteira. Dentro da mesma tempestade sentimos o mesmo medo, compartilhamos o medo de ter o medo da morte, e tendo compartilhado, isso não nos oprimiu.

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Os bons frutos dos grandes males

Os bons frutos dos grandes males

Editorial - Provações e vítimas de hoje, a historia de ontem      por Luigino Bruni publicado no site Avvenire em 31/12/2020 A dimensão coletiva do medo e da morte, esse é um legado que 2020 nos deixa. Tínhamos esquecido os grandes medos coletivos, tínhamos relegado a morte à intimidade da famíli...
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Comentários – Na Encíclica Fratelli tutti, Francisco explicou que a sua fraternidade é universal. 

por Luigino Bruni

publicado no site Avvenire em 06/10/2020

Fraternidade não é uma palavra simples. Posto que, as fraternidades são muitas, e nem todas são boas ou cristãs. Houve sempre pessoas e comunidades que, em nome das suas fraternidades, rejeitaram e humilharam mulheres e homens que não pertenciam a elas e que, para chamar alguns de irmãos, ofenderam e mataram os não-irmãos. A grande história de Caim nos conta que a fraternidade de sangue não garante qualquer amizade, e que o irmão pode ser o primeiro assassino. Outras fraternidades não viam nem queriam mulheres, e as eliminaram em nome de uma fraternidade parcial e equivocada. Muito raramente os irmãos incluem todos os irmãos, e mais raramente ainda, incluem as irmãs.

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Por isso a importância que o Papa Francisco em Fratelli tutti nos dissesse imediatamente qual era a sua fraternidade. E disse-nos isso escolhendo a parábola do Bom Samaritano como a principal e, em certo sentido, a única estrutura teológica e ética do seu discurso. E ao escolher essa parábola, fez uma escolha de contextualização forte, partidária e parcial. Ele quis nos dizer que a sua fraternidade é universal, centrada na vítima. E nos mostrou isso desde a sua primeira viagem, ao descer de Jerusalém (Roma) quando escolheu Lampedusa como a sua Jericó. Uma escolha partidária e parcial, porque a ética do samaritano é certamente uma base sólida e inequívoca para uma civilização de proximidade e misericórdia, mas é menos óbvia como fundamento de uma ética de fraternidade, porque lhe falta a dimensão decisiva da reciprocidade. É menos óbvia porque a fraternidade não é apenas um conteúdo da ação do indivíduo, não é apenas um comando dirigido a cada um de nós considerado isoladamente; a fraternidade é também, e talvez sobretudo, um comando dirigido a nós como comunidade, como igreja, como sociedade, como humanidade, como um verbo conjugado na forma plural: "amai-vos uns aos outros...".

A parábola do samaritano não fala de irmãos de sangue (nem pródigo, nem mais velho), e nem está diretamente interessada de alguma forma em ação mútua: existe uma vítima, existem dois indivíduos separados que passam ao largo, e existe um terceiro, o samaritano, que se dobra e cuida daquela vítima. Entre os vários protagonistas não há interação recíproca de qualquer tipo - exceto, paradoxalmente, no final entre o samaritano e o hoteleiro.

Por que, então, o Papa escolheu essa parábola como pedra angular do seu discurso sobre a fraternidade, dando-lhe uma centralidade tal, a ponto de negligenciar as outras passagens bíblicas fundamentais sobre a fraternidade no Antigo e no Novo Testamento? Onde está a "pérola" dessa história de Lucas, tão preciosa que vende todos os outros tesouros para comprar o campo que a contém?

Fratelli tutti nos diz claramente: a escolha da parábola do Bom Samaritano é essencial para anunciar hoje, uma fraternidade centrada no contraste entre a proximidade e a aproximação, que a partir da chave de leitura da parábola de Lucas, torna-se chave de leitura de toda a Terceira Carta Encíclica do Papa Francisco. Quem curvou-se e socorreu o homem deixado ali, meio morto, pelos bandidos, não foram os dois viajantes que objetivamente eram os mais próximos da vítima - o levita e o sacerdote, judeus e ainda os responsáveis pelo zelo daquela sociedade, já que eram funcionários do templo. Eles eram os mais próximos, mas não se tornaram os mais próximos.

Ao invés, aquele que se inclinou sobre a vítima foi o mais distante de todos, sob vários aspectos (religioso, étnico, geográfico, e talvez, apenas ele, passava naquele momento do lado oposto da estrada). Tornou-se próximo quem tinha as menores razões para estar próximo, ainda mais porque pertencia a um povo "excomungado". Ele tornou-se próximo porque decidiu estar próximo visto que, durante uma de suas viagens, deparou-se com um evento inesperado, reconheceu uma vítima e escolheu a aproximação. Já se nasce como irmãos de sangue, irmãos próximos e de espírito se tornam porque fazem essa escolha, muito além de qualquer raciocínio sobre laços de proximidade.

Francisco escreve: «Essa parábola é um ícone iluminador, capaz de manifestar a opção fundamental que temos de fazer para reconstruir este mundo tão sofrido. Diante de tanta dor, de tantas feridas, a única saída é ser como o Bom Samaritano. Qualquer outra escolha deixa-nos ou como os bandidos ou como os que passam ao largo, sem se compadecer com o sofrimento do homem ferido pelo estrada. Já não há distinção entre o habitante da Judéia e o habitante da Samaria, não há sacerdote nem comerciante; existem simplesmente dois tipos de pessoas: aquelas que cuidam do sofrimento e aquelas que passam ao largo; aquelas que se debruçam sobre o homem caído e o reconhece necessitado de ajuda, e aquelas que desviam o olhar e apressam os passos». (Ft 67 e 70). Aqui está a sua grande mensagem, a pérola preciosa, a pedra angular de sua fraternidade: o próximo, o irmão e a irmã do Evangelho, não é aquele que está mais perto.

A fraternidade de Francisco, que nasce da proximidade do Evangelho, difere e assim se distancia de todas as outras fraternidades que a história já conheceu e conhece. Os irmãos (e irmãs) não são, portanto, os compatriotas, não são aqueles que fazem parte da minha própria comunidade, não são os semelhantes a mim. Não é a fraternidade dos muitos "comunitarismos" e dos muitos "nós" que hoje ocupam fortemente a cena dos povos e da Igreja. Não é a fraternidade daqueles que estão mais perto, é a fraternidade dos que estão distantes. Não é a fraternidade dos iguais, é a fraternidade dos diferentes, não é a simples fraternidade, é a fraternidade do improvável: «Grupos fechados e casais autorreferenciais, que se constituem como um 'nós' oposto ao mundo inteiro, são geralmente formas idealizadas de egoísmo».(89). Essa, ao invés, é a fraternidade de Francisco: até hoje ele nos tinha dito com mil gestos e muitas palavras, agora, as palavras, ele as reuniu em uma carta ao mundo inteiro.

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Comentários – Na Encíclica Fratelli tutti, Francisco explicou que a sua fraternidade é universal. 

por Luigino Bruni

publicado no site Avvenire em 06/10/2020

Fraternidade não é uma palavra simples. Posto que, as fraternidades são muitas, e nem todas são boas ou cristãs. Houve sempre pessoas e comunidades que, em nome das suas fraternidades, rejeitaram e humilharam mulheres e homens que não pertenciam a elas e que, para chamar alguns de irmãos, ofenderam e mataram os não-irmãos. A grande história de Caim nos conta que a fraternidade de sangue não garante qualquer amizade, e que o irmão pode ser o primeiro assassino. Outras fraternidades não viam nem queriam mulheres, e as eliminaram em nome de uma fraternidade parcial e equivocada. Muito raramente os irmãos incluem todos os irmãos, e mais raramente ainda, incluem as irmãs.

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Sempre do lado da vítima, amando a diversidade humana

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Editorial - Os Mecanismos e a complexibilidade do mercado, interdependência e fraternidade. 

por Luigino Bruni

publicado originalmente em italiano no Avvenire em 13/03/2020

Economia, isto é, o governo da casa. Essa é a primeira definição que aprendem os estudantes de economia no primeiro dia de aula. Nunca como nesses dias, a nossa geração compreendeu que existe um relacionamento direto entre governo, casa e economia. O governo nos pede para ficarmos em casa, enquanto a economia faz de tudo para que alguns não fiquem em casa, mas sim, que compareçam ao trabalho. A economia pode e deve cumprir o seu trabalho, ou seja, para garantir que as palavras tranquilizadoras que o governo nos diz, fiquem em casa, possam corresponder a verdade - os supermercados deverão ficar abastecidos de mercadorias.             

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E a economia sabe que, para levar frutas, leite, legumes, carne e pão aos supermercados de gênero alimentícios, além do gás, da energia e da internet para as nossas casas, e os medicamentos para as farmácias, é preciso que alguém trabalhe. Porque se todos ficarmos em casa, ninguém poderá ficar em casa. Observando cuidadosamente os detalhes - e esse é o aspecto mais difícil do trabalho da política - imediatamente percebemos que construímos uma economia de mercado extremamente complexa e interdependente, da qual não conseguimos enxergar a sua enorme complexidade até que tudo caminhe em condições normais. 

Mas, apenas algo obstrui o mecanismo, devemos meter a mão na "manutenção da máquina", e assim descobrimos de repente, que tudo é realmente muito, muito difícil. Eis o porquê que hoje, uma parte (quase) de todos nós, estamos convencidos que os operários das fábricas não são trabalhadores que devem estar expostos à mais riscos de contágio, do que os trabalhadores que agora estão em casa, porém, quando começamos a identificar quais empresas devem fechar e quais não, deparamo-nos diante de dois dilemas. O primeiro: ter que reconstruir em pouco tempo a morfologia da rede econômica dos clientes, fornecedores, subfornecedores, industrias, e descompor os produtos finais em todas as suas dezenas e centenas de componentes, o que é infinitamente árduo. O mercado contemporâneo é um mecanismo admirável, justo porque agrega uma infinidade de quantidades de operações e de cálculos dispersos em milhões de pessoas, do qual nenhum robô hiper inteligente poderia ser composto - antes da divisão do trabalho, o mercado otimiza a divisão do conhecimento disperso e fragmentado, do qual cada um possui apenas um minúsculo, porém, insubstituível, pedaço.  

Segundo: supondo que possamos aproximar o cálculo dessa rede extremamente emaranhada, é provável que o número de empresas ausentes da cadeia produtiva de qualquer bem essencial seja menor daquilo que pensamos. Portanto, identificar as empresas que devem ser fechadas é terrivelmente difícil e, mesmo se as identificarmos, descobriremos que muitos trabalhadores deveriam continuar trabalhando do mesmo jeito, se quisermos ficar em casa e continuar comendo e vivendo. Os milagres econômicos que esse capitalismo produziu nas últimas décadas são o outro lado da impotência em que nos encontramos hoje. Aqui se encontra a razão do conflito, inevitável, entre aqueles que devem fazer agora as escolhas concretas, e aqueles que invocam os sacrossantos princípios éticos da equidade. E tentar entender as razões um dos outros, já seria um passo essencial para uma possível resolução ou cuidado. Existe depois um outro problema importante, que é menos discutido. Quais são os bens e serviços essenciais? É difícil convencer muitas pessoas da essencialidade dos cigarros ou, pior ainda, das raspadinhas das tabacarias abertas (é mais fácil convencermo-nos que são essenciais para os fumantes e para os jogadores dependentes). Talvez, no entanto, ninguém acredite que o cabelereiro seja essencial.

Mas se pensarmos nas milhões de pessoas (principalmente nas mulheres e, mulheres idosas) que se encontrarão, depois de algumas semanas isoladas em casa e despenteadas, e as centenárias de milhares de cabeças que de repente ficaram brancas porque, talvez, alguém decidiu que as tintas para os cabelos não são bens essenciais e, portanto, a produção e distribuição foram paralisadas. É verdade sim que poucos, pouquíssimos nos verão despenteados e com os cabelos descoloridos. Porém, seremos nós que nos veremos no espelho todas as manhãs, e agora muito mais do que antes, por falta de outros rostos para olhar. Durante as crises longas e sérias, o cuidado consigo mesmo e com o outro é um bem essencial (quase) como o comer e o vestir-se. As pessoas bem cuidadas e penteadas suportam melhor as longas noites. Somos animais simbólicos muito mais complicados do que os animais para alimentar e divertir.

Não significa que tudo isso é para amanhã abrirmos todos os salões, mas sim para refletir sobre o que se esconde de importante por trás de um corte ou de uma cor de cabelo. Tivemos que fechar os negócios para entender. Assim como tivemos que fechar as escolas e encontrarmo-nos diante de salas vazias ou de um computador, para compreender quem são e o que representam realmente os nossos estudantes. O que fazer então? Tomemos mais consciência do diálogo político e social da complexidade dessas escolhas, da (quase) impossibilidade de todas as vezes fazer a escolha certa e exata. Fechemos aquelas (poucas) empresas que podemos facilmente fechar e, em seguida, façamos mais para que quem deve trabalhar se arrisque o menos possível, para que assim possamos ficar, o suficientemente bem, em casa. E depois, quando o vírus passar, lembremo-nos o quanto somos interdependente, de quantas pessoas existem, invisíveis, por trás de um litro de leite fresco ou de um shampoo para colorir os cabelos. Que o mercado é também uma maravilhosa engrenagem onde todos trabalhamos para que todos possam viver bem e melhor. São nesses momentos que se compreende o significado do princípio esquecido da fraternidade.

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Editorial - Os Mecanismos e a complexibilidade do mercado, interdependência e fraternidade. 

por Luigino Bruni

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Economia, isto é, o governo da casa. Essa é a primeira definição que aprendem os estudantes de economia no primeiro dia de aula. Nunca como nesses dias, a nossa geração compreendeu que existe um relacionamento direto entre governo, casa e economia. O governo nos pede para ficarmos em casa, enquanto a economia faz de tudo para que alguns não fiquem em casa, mas sim, que compareçam ao trabalho. A economia pode e deve cumprir o seu trabalho, ou seja, para garantir que as palavras tranquilizadoras que o governo nos diz, fiquem em casa, possam corresponder a verdade - os supermercados deverão ficar abastecidos de mercadorias.             

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Coronavírus. Fechar aquilo que se pode. Compreender aquilo que se deve.

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Editorial - O valor do trabalho e das relações, e o rei nu.

por Luigino Bruni

publicado no Avvenire em 11/03/2020

A crise do novo Coronavírus está revelando a natureza ambivalente da economia. Diante da dificuldade de ir ao trabalho, damo-nos conta que antes de amar o tempo livre, amamos o nosso trabalho.

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Estamos descobrindo que gostamos de ficar em casa no domingo, porque existe a segunda-feira e podemos assim voltar ao trabalho, pois sem os dias úteis, os fins de semana ficam sem sentido. Também por esse motivo, resistimos fortemente a renunciar o trabalho por razões óbvias de segurança; queremos e gostaríamos de manter as fábricas e os escritórios abertos, não apenas para não reduzir o PIB, não apenas para ganhar o salário necessário, mas também porque sentimos que, enquanto não formos derrotados ainda podemos trabalhar, e trabalhar juntos. Essa é uma dimensão e uma vocação do trabalho, que nada como uma grande e séria crise como essa, na qual estamos vivendo, está nos revelando; afinal, se olharmos cuidadosamente para dentro de nós mesmos, quando uma forma da morte nos ameaça, o trabalho se transforma em um potente antídoto - porque não existe apenas o conflito entre Eros e Thanatos, existe também aquele entre o trabalho dos vivos e o não trabalho da morte.

E mesmo se, durante os tempos comuns, nunca paramos para pensar o suficientemente sobre a questão, na realidade vamos trabalhar também para combater a morte. Ao criar bens e serviços com as nossas ações coletivas generativas, estamos dizendo, todos os dias, que a vida é maior. E não é por acaso que na Bíblia, em muitos dos episódios decisivos entre a vida e a morte, tais fatos ocorreram enquanto as pessoas estavam trabalhando - desde Moisés, quando pastava o rebanho, até aos apóstolos, chamados enquanto trabalhavam.

E como não é por acaso que, em algumas línguas, o trabalho seja comparado ao parto, um esforço que o assemelha, atrelado a dor que acompanha cada ofício de verdade, que não seja apenas um hobby ou um jogo.     

Depois entendemos que aqueles bens relacionais, tão ridicularizados pelos economistas e pelos políticos nos tempos normais, são tão quão essenciais como as mercadorias. De repente, compreendemos que as pessoas, especialmente os idosos, saem para comprar, além do pão, talvez e sobretudo, também para 'consumir' o bate-papo com as pessoas do bairro, porque quando você vai ao mercado, você vai principalmente para 'trocar palavras' com as pessoas, pois, não receber visitas de voluntários ou amigos no cárcere é uma questão de vida ou morte. As grandes crises, portanto, derrubam as velhas 'pirâmides das necessidades'. Todas as civilizações sempre souberam dessas coisas, porém aquela capitalista tinha esquecido disso, mas, esperemos que reaprendam através das dores desses dias. Assim como um 'mal comum' nos ensinou inesperadamente o que significa o 'Bem comum', a solidão forçada nos ensinou o valor e o preço das relações humanas; a distância acima de um metro nos revelou a beleza e a saudade das pequenas distâncias.

Contudo, assistimos e assistiremos sempre mais, que a economia está mostrando também uma outra face. Aquela das Bolsas e das especulações, o medo das perdas do PIB que se tornam mais importantes que as perdas das vidas, motivo que impediu até agora que as atividades comerciais e produtivas, não essenciais para a vida das pessoas, parassem - como os escritórios de advocacia, os contadores, algumas fábricas, escritórios de analistas financeiros e muitos outros tipos de negócios... - atividades que sabemos o quanto coloca as pessoas juntas, todos os dias, sobretudo no Norte. O 'parem todos' funcionou sim, e imediatamente para as escolas, mas não para os negócios.

Há vários dias que penso e repito que, uma 'quaresma do capitalismo' que esquecesse do PIB, das entradas, dos débitos públicos e do pacto de estabilidade, seria uma terapia eficaz para retardar o progresso rápido e ameaçador do vírus.

Essas razões da economia são muito diversas das primeiras razões do trabalho-vida, e ainda são inimigas entre si. Dizem que construímos um sistema social onde a última palavra, no final, será sempre a dos negócios e não a do bem comum, pois a política não tem forças o suficiente para fazer as coisas óbvias. Tudo isso é visível na Itália, porém é mais evidente ainda na Europa, na Grã-Bretanha e nos USA onde se está subestimando e subnotificando a extensão da crise sanitária, para reduzir ou talvez evitar as suas consequências na economia - em particular sobre as finanças que nem sempre é aliada da economia.

Se ficarmos atentos, nessa crise poderemos ainda ler mensagens importantes sobre o capitalismo que construímos nessas últimas décadas. Corremos longe demais, perseguindo os sinais do mercado que julgávamos invencíveis, não aplicamos aquele princípio fundamental da convivência humana, que a Doutrina social da Igreja denomina princípio da precaução, que deveria levar uma comunidade a não esperar a chegada do 'cisne negro' para preparar-se e enfrentar um caso excepcional e devastador. Uma comunidade sábia e não guiada pelo capitalismo, investe nos dias normais, para se proteger nos dias  excepcionais. Fazemos isso todos os dias através dos seguros individuais e corporativos, mas não fazemos mais para a sociedade como um todo, que se encontra totalmente a mercê das questões decisivas, não obstante os sérios alarmes que chegaram nos últimos anos.

Que o rei (capitalista) estava nu, já nos tinha dito, como na fábula, uma menina, um ano atrás. Nós não a escutamos, e continuamos a viver como se as roupas do rei existissem de verdade, encantados pelo bem-estar e pela ilusão da onipotência. Esse vírus é uma segunda mensagem, que podemos administrar e depois seguir em frente como antes, ou interpretar com sabedoria e mudar, e mudar muito.

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A Quaresma do capitalismo

A Quaresma do capitalismo

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Opinião - O Prêmio Nobel de Economia

Por Luigino Bruni e Luca Crivelli

publicado originalmente no jornal Avvenire em 15/10/2019

O Prêmio Nobel de Economia 2019, atribuído à Esther Duflo, Abhijit Banerjee e Michael Kremer é realmente uma notícia maravilhosa, e por muitas razões. A primeira delas é que Esther Duflo (nascida em 1972) é uma mulher e uma das mais jovens a ter recebido o Prêmio Nobel de Economia. 

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Ela também é esposa de Abhijit Banerjee, premiado juntamente com ela. Duflo, nascida e criada em Paris (a França, ao contrário da Itália, continua sendo um País de referência em ciências econômicas), hoje, ensina junto ao seu marido na MIT, enquanto Kremer ensina em Harvard. Dos três, Duflo era quem mais se destacava, com perspectiva de um Nobel, também pela sua extraordinária e precoce carreira (já tinha ganhado o 'Nobel' pelos jovens economistas, a Medalha Clark), e durante anos foi um ponto de referência para aqueles que se dedicam à pobreza e ao desenvolvimento. Ela é a segunda mulher a receber o Nobel de Economia, dez anos depois de Elinor Ostrom, que foi premiada pelos seus trabalhos pioneiros sobre o bem comum. Essas duas economistas têm muitas coisas em comum.

Pobreza (Duflo) e os bens comuns (Ostrom) têm a ver com pessoas reais, com relações sociais e com a luta contra as várias formas de pobreza (até a destruição dos bens comuns, como o ambiente, é uma outra forma de pobreza). Ambas entenderam que, na redução da pobreza e na proteção do bem comum, os bens cruciais são os bens relacionais. Economia é substantivo do gênero feminino. A administração da casa (oikos nomos) é diferente quando vista de um homem ou de uma mulher. Os homens costumam ver as coisas (renda, bens, investimentos), já as mulheres, vêm as relações, veem os detalhes, as possíveis soluções aqui e agora, aquelas que são decisivas para o verdadeiro bem-estar das pessoas.    

De fato, além das importantes inovações técnicas e científicas dos três economistas premiados (entre as quais a aplicação ao estudo das políticas de combate à pobreza e a promoção da educação entre as crianças, nos países em desenvolvimento do método experimental e da análise randomizada controlada, típica dos estudos relacionados a saúde, o chamado Ensaios Clínicos Randomizados (Randomized Controlled Trials), o trabalho de Duflo e de seus colegas nos ensinou muitas coisas sobre a pobreza que, infelizmente, são quase que completamente desconhecidos por aqueles que se dedicam às políticas públicas. Antes de tudo, segundo eles, o combate à miséria e a exclusão, para ter êxito, requer a política dos pequenos passos. Enquanto as políticas tradicionais de desenvolvimento, durante estes anos, concentraram-se sobre a cooperação internacional, sobre os grandes capitais e sobre investimentos de infraestrutura, Duflo e seus colegas tentaram, com paciência, convencer as Ongs e os chefes de estado da importância de investir dois euros na compra de um mosquiteiro, e que aqueles dois euros salvariam alguém da malária aqui e agora (sobretudo as crianças), enquanto os governos não encontrassem uma solução para o caso e as empresas farmacêuticas continuassem a não oferecer soluções economicamente acessivéis.

A estratégia da mulher são os pequenos passos - porque elas são concretas e possuem o bom senso de quem administra, dia após dia, uma casa de verdade e não uma de papel. Além disso, ensinaram para nós que a pobreza não é uma questão de fluxo de caixa, mas de estoque; que se manifesta com a falta de renda, mas que a sua verdadeira natureza é a carência de bens capitais - sociais, educativos, sanitários, familiares... Portanto, tratar a pobreza focando a renda, sem curar os capitais das pessoas e da comunidade (os capitais quase sempre são das empresas coletivas) é ineficaz e, normalmente, aumenta aquela pobreza que se gostaria de reduzir. Enfim, sobretudo Dulfo, muitas vezes nos lembrou ao longo desses anos, que a pobreza é acima de tudo uma questão relacionada às crianças (aqui a sua insistência sobre a educação) e às mulheres. Os pobres são, na sua maioria, crianças e mulheres.

Hoje, não é possível lidar com a pobreza sem lidar, diretamente e exclusivamente, com as mulheres e, ainda, elas sendo mães. Esse Prêmio Nobel conferido àqueles que trabalham para reduzir a pobreza real das pessoas reais (que está ligado àquele conferido, em 1998, para um outro economista indiano chamado Amartya Sen) é também uma esperança para a profissão do economista. O economista é sobretudo alguém que trabalha para reduzir a pobreza e, portanto, a dor do mundo.

Os economistas clássicos sabiam muito bem disso, porque quando colocavam como ponto central de suas reflexões - o trabalho, a riqueza e o desenvolvimento - viam esses pontos como os primeiros meios para reduzir a pobreza e o sofrimento das pessoas. Escrevia, por exemplo, Alfred Marshall, em 1890: «è verdade que um homem pobre pode alcançar através da religião, dos afetos familiares e da amizade a mais alta felicidade. Mas as condições que caracterizam a pobreza extrema tendem a destruir essa felicidade». A lei das riquezas são estudas para reduzir a pobreza e o sofrimento.

Uma última nota. Esse Prêmio Nobel para a Economia concedido a uma mulher, a uma jovem e aos estudos sobre a pobreza é um ótimo presságio para a iniciativa desejada do Papa Francisco, em Assis, para março de 2020: 'The Economy of Francesco' (A economia de Francisco). Economia e pobreza não são um paradoxo, mas um chamado para a economia à voltar para as suas raízes e para a sua vocação. Assis poderá ajudar a economia e os economistas a distinguirem a miséria da pobreza. Porque enquanto miséria e exclusão são palavras ruins e sempre negativas, pobreza é uma palavra que se encontra no evangelho e conhece uma declinação positiva, que é a bem aventurança reservada a quem - como Francisco - a escolhe para libertar os outros que não tiveram a escolha, mas somente se submeteram a vivê-la.  

E como recorda um outro grande autor e mestre da pobreza, M. Rahnema, é preciso derrotar a miséria para colocar as pessoas na condição de poder escolher livremente a pobreza; porque quando se é 'pobre' demais não é possivel escolher a pobreza. E ainda, sem conhecer e estimar os valores que algumas formas de pobreza proporcionam e fazem viver, não é possível derrotar realmente a pobreza errada.

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Opinião - O Prêmio Nobel de Economia

Por Luigino Bruni e Luca Crivelli

publicado originalmente no jornal Avvenire em 15/10/2019

O Prêmio Nobel de Economia 2019, atribuído à Esther Duflo, Abhijit Banerjee e Michael Kremer é realmente uma notícia maravilhosa, e por muitas razões. A primeira delas é que Esther Duflo (nascida em 1972) é uma mulher e uma das mais jovens a ter recebido o Prêmio Nobel de Economia. 

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O gênio feminino combate a pobreza através dos relacionamentos

O gênio feminino combate a pobreza através dos relacionamentos

Opinião - O Prêmio Nobel de Economia Por Luigino Bruni e Luca Crivelli publicado originalmente no jornal Avvenire em 15/10/2019 O Prêmio Nobel de Economia 2019, atribuído à Esther Duflo, Abhijit Banerjee e Michael Kremer é realmente uma notícia maravilhosa, e por muitas razões. A primeira delas é...
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Editoriais - A «ação global» de meninos e meninas

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire, 19/03/2019

O dia 15 de março de 2019 será lembrado como a primeira ação global, e realmente mundial, promovida por meninas e meninos para mudar o mundo. Uma data fundamental para a nossa época. Vamos entender tal acontecimento sempre melhor no futuro. É uma novidade que deveria fazer-nos parar, todos nós, para refletir em profundidade sobre muitos dos seus significados.

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A infância e a adolescência são um patrimônio da humanidade e da Terra, o primeiro bem comum global, o que tem maior valor porque contém em si a possibilidade da continuação da vida humana. Na primeira “Sexta-feira para o futuro” global, vimos que os adolescentes têm também um ponto de vista próprio sobre o mundo. Fazem muitas coisas, como e mais do que os adultos, e com suas ações mudam e melhoram o mundo a cada dia. Os meninos e as meninas, porém, não sabem só fazer: sabem também pensar, pensam diferentemente dos adultos e têm muitas ideias, porque, na verdade, não é preciso tornar-se adulto para começar a pensar. A nossa civilização respeita, ao menos no documento de declaração comum, as crianças e os adolescentes, mas não conhece, e portanto, não valoriza o pensamento deles sobre o mundo.

Nos encontros, às vezes, convidamos as crianças e os adolescentes para cantarem uma cançãozinha, para fazer um teatro e depois os deixamos confinados numa sala adequada para eles, em seus programas paralelos. Não conseguimos convidá-los e mantê-los nas salas de todos onde, ao invés, seriam muito preciosos. Porque o ponto de vista deles é essencial. Eles têm ideias também sobre a economia, sobre a política e, ainda mais, sobre o ambiente. Pensam a respeito e dizem com a própria linguagem, mas dizem após terem pensado. Vivem e olham o mesmo mundo dos pais, mas o vêem e o vivem de modo diferente. O pensamento dos adolescentes é ausente demais do nosso tempo presente, como o era nos tempos passados. O vigésimo século foi o século que introduziu na esfera pública o pensamento feminino, que começou a mudar o mundo. O século XXI poderá ser o século que conhecerá o protagonismo do pensamento juvenil.

As crianças e os adolescentes sempre pensaram, mas o mundo pensado por eles não era considerado pelos adultos como algo interessante nem, tanto menos, útil para a vida social, econômica e política. E assim, este grande patrimônio permaneceu, na maior parte, negligenciado, esquecido, desvalorizado. Teríamos tido uma sociedade, uma economia e uma política melhores se tivéssemos levado a sério também este pensamento diferente. Teriam sido mais justas, mais sustentáveis, mais belas.

O modo com o qual os meninos e as meninas olham para a economia e a consideram, por exemplo, não é o modo adulto. Eles, muito mais que nós, vêem os bens econômicos dentro das relações. São mais sensíveis à desigualdade, à pobreza e ao ambiente, dão pouco peso ao dinheiro, são generosos. O pensamento deles é concreto e, portanto, vivo: não existe a fome no mundo, por exemplo, mas existem crianças, jovens e pessoas concretas que passam fome. O raciocínio deles é concreto, é vivo, é palpável.

Em 15 de março de 2019, vimos meninos e meninas, que deveriam e deverão participar do debate público sobre todos os assuntos, interagirem com os políticos e os economistas, contarem as suas experiências e expressarem o próprio pensamento, que terá de ser conhecido pelos principais políticos e economistas, porque precisam disso. A opinião juvenil é um dom para toda a sociedade. Até agora ela foi esquecida, mas Greta, as suas companheiras e os seus companheiros nos fizeram recordá-la. O Bem comum será mais próximo quando for acolhido e escutado também o pensamento dos meninos. O pensamento juvenil foi e é o grande ausente no debate público até 15 de março. Agora tal pensamento chegou e não pode mais ausentar-se.

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Editoriais - A «ação global» de meninos e meninas

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire, 19/03/2019

O dia 15 de março de 2019 será lembrado como a primeira ação global, e realmente mundial, promovida por meninas e meninos para mudar o mundo. Uma data fundamental para a nossa época. Vamos entender tal acontecimento sempre melhor no futuro. É uma novidade que deveria fazer-nos parar, todos nós, para refletir em profundidade sobre muitos dos seus significados.

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Eis o pensamento que faz o futuro

Eis o pensamento que faz o futuro

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Excessos e desalinhamentos/8 - É preciosa a semente primigenial de toda vocação humana  

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire de 21/10/2018

Eccedenze e disallineamenti 08 rid«O outro, o Homem, é desde o início o reciprocante. Contemporaneamente, não pode ser esquecida a outra face da medalha desta capacidade do outro de me reciprocar. Tal capacidade pressupõe, de fato, que o outro represente uma "vida humana" exatamente como a minha, e pressupõe, portanto, a existência de uma vida sua e não minha, com um seu eu e um seu mundo próprio, exclusivo, que não são meus, que encontram-se do lado de fora, para além, que transcendem a minha vida».

José Ortega y Gasset, L'uomo e la gente

A família, o trabalho, a escola, são questões de reciprocidade. O cuidado que temos permanece imperfeito se não experimentarmos, algumas vezes, que estamos sendo cuidados por aqueles a quem cuidamos, e nenhuma educação é eficaz se enquanto ensina o professor não aprende e muda junto com os seus alunos. Também o relacionamento entre as comunidades ideais e as pessoas que dela fazem parte é uma questão de reciprocidade, que vive de uma grande proximidade unida a uma real distência. Nada, sobre a terra, é mais íntimo do que um encontro no espírito entre pessoas chamadas ao mesmo destino pela mesma voz, quando no outro vemos os mesmos desejos do nosso coração, as mesmas palavras ditas e não ditas nos retornam multiplicadas e sublimadas. Alegra-se pelas mesmas coisas, e a alegria aumenta ao ver que o outro está feliz pelas mesmas razões e da mesma forma com a qual estamos felizes nós.

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Essa mútua inabitação («s’io m’intuassi come tu ti inmii»: Dante, Paradiso) porém, é experiência plenamente humana e humanizadora se convive com o respeito de uma forma de distência, que protege da tentação de possuir o outro, de apropriar-se daquele excesso que encontra-se no seu mistério. É principalmente dentro deste espaço livre e salvo onde vive e se alimenta a comunhão que, porém, cresce e faz crescer até deixarmo o outro e o nosso coração ambos livres de vigiar um "ainda não" que, só em parte, amanhão poderá ser revelado.

Essa dinâmica de proximidade-distância, já difícil entre pessoas, é ainda mais árdua nos relacionamentos entre o indíviduo e a sua comunidade. De fato, aqui pode acontecer que a comunhão entre a alma pessoal e a comunitária se torne uma operação de substituição. A pessoa que chega numa comunidade ideal é fascinada e sommersa pela beleza e pela riqueza espiritual que encontra, que é muito mais cintilante e sedutora do que a pequena voz dentro que lhe parece menos interessante e luminosa do quanto encontra ao seu redor e fora de sí. Aquele pequena dote com a qual bate nas portas da comunidade não brilha e não pode brilhar, porque não é uma pérola nem um diamante: é simplesmente uma semente. Mas é exatamente naquela minúscula coisa que está a possibilidade de bom futuro, de inovações verdadeiras, de surpresas, de reformas, de grandes árvores e novos frutos, para a pessoa e para a comunidade.

Os responsáveis deveriam, então, fazer de tudo para manter viva e fecunda aquela intimidade única e especial na pessoa, que é anterior ao encontro com o carisma da comunidade. E, portanto, dosar muito bem a transmissão da herança espiritual e ideal coletiva, com as necessários cuidados e castidade para não submergir e sufocar aquela pequena semente primigenial.

princípio de subsidiariedade, pilar do humanismo cristão e europeu, vale também para a gestão da relação indivíduo-comunidade: aquilo que vem de fora e do alto, é bom se serve de ajuda (de subsidio) àquilo que é íntimo, próximo, pessoal. Muito da qualidade e manutenção de uma história vocacional depende do diálogo subsidiário entre essas duas intimidades, principalmente nos primeiros tempos; da capacidade de não substituir a primeira intimidade (pequena, ingênua, simples) com a segunda (grande, madura, espetacular). Pois é a primeira intimidade aquele lugar onde vive e cresce um pensamento livre, atento, cultivado, crítico, porque alcança camadas mais progundas do que as que nutrem o carisma comum. Pega água diretamente da tradição espiritual que alimenta o próprio carisma comunitário, e das tradições das civilizações humanas que fundam ambas. É alimentada pelas orações de todos, não só das nossas orações, das poesias, dos romances e da arte de toda a humanità, do amor e da dor de cada ser humano e da terra.

Mas é quase impossível que esta substituição entre as duas intimidades não se cumpra, pois é, antes de tudo, buscada e desejada pela síngula pessoa. Ela sente forte o fascínio das novas palavras grandes que encontra chegando, mesmo porque percebe que aquilo que chega de fora era já presente dentro dela, e que na comunidade carismática é potencializado e exaltado. Conhece intimamente quanto lhe é doado de fora porque enquanto o recebe o reconhece como algo que lhe era já íntimo. Quando, ao invés, tratamo aquela jovem como se chegasse espiritualmente tábua rasa em matéria franciscana não fazemos outra coisa que não seja fazer morrer nela aquela primeira intimidade que continha já cromossomos essenciais para fazer tornar-se autenticamente franciscana a si mesma e à sua comunidade. Os caminhos espirituais autênticos não começam, mas continuam numa comunidade, porque já tinham começado fora, numa primeira intimidade.

Depois que Saulo encontrou o Senhor no caminho de Damasco, chegou na casa de Ananías, que o batizou e daquela comunidade recebeu a fé cristã. Mas Paulo recordou e reinvindicou que a sua vocação tinha sido anterior ao encontro com  Ananías e aquela voz continuou a alimentá-lo juntamente com a mesma voz que lhe falava na sua comunidade, e que lhe dizia de vez em quando palavras que não entendia: «O Evangelho (...) eu não o recebi nem o aprendi de homens, mas por revelação de Jesus Cristo» (Gálatas 1,11-12). Nas comunidades o mecanismo principal de discernimento espiritual parte da intimidade da pessoa e concretiza-se na intimidade coletiva que torna-se o exegeta final das palavras individuais. Mas é essencial também o processo inverso, quando volta-se ao diálogo da primeira intimidade para compreender as palavras coletivas que não entendemos e que, uma vez compreendidas dentro e doadas novamente para fora, enriquecem a todos. Quando falta este segundo movimento, os membros da comunidade tendem a se tornarem muito semelhantes entre eles, porque o lugar da biodiversidade antropológica e espiritual e, portanto, da riqueza e generatividade dos carismas, não é a segunda intimidade, mas a primeira.

Nos nascimentos naturais, as crianças nos primeiros dias são muito semelhantes e parecem todas iguais, e só crescendo se diferenciam e assumem seus traços específicos. Nos nascimentos espirituais acontece, ao invés, o contrário: no início somos todos muito diferentes, cada um com a cor dos olhos e dos cabelos únicos; depois, uma vez que estamos dentro de uma comunidade, com o tempo tendemos a nos tornarmos espiritualmente sempre mais semelhantes, porque a segunda intimidade vocacional coletiva cresce às custas da prima. E a fusão inebriante dos primeiros anos deixa o lugar a palavras comuns e iguais que falam sempre menos.

As comunidades espirituais e proféticas fazem sempre muito esforço para reconhecer o valor da primeira intimidade pela grande estima e consideração que têm (e devem ter) pela segunda intimidade espiritual coletiva. Muitas vezes a vêem como a única necessária, que engloba e contém a primeira, que é considerada como os "dentes de leite" da criança, que têm que cair para poder fazer crescer os dentes adultos e definitivos. E, assim, não poucas vezes determinam, em boa fé, a atrofìa progressiva do primeiro lugar vocacional que sustenta també o segundo – muitos danos são produzidos por muita boa fé, que porém não anula as consequências e as muitas dores.

Quanto mais uma comunidade tem uma forte dimensão profética e carismática, mais lhe é natural e espontâneo subestimar a experiência espiritual anterior à chegada. Esquecendo-se, desta forma, que toda organização, até mesmo a mais genuinamente carismática, tem uma necessidade contínua de auto-regenerar-se, e o primeiro instrumento desta auto-generação é a profecia das suas pessoas que, porém, devem ser reconhecidas e depois ter o espaço para ser cultivada. Também o povo de Israel precisou ser acompanhado por séculos por grandes profetas, apesar de ser já uma nação santa e profética. Sem os profetas que continuamente a renovaram (e que o povo continuava a matar) também aquela comunidade diferente teria se transformado num monolite religioso sem espírito. E no que teria se tornado a Igreja sem milhares de profetas e de santos que chamaram-na novemente mil vezes à sua vocação e à conversão? Da mesma forma acontece também hoje para cada comunidade já carismática por vocação: a chegada providencial de profetas, que salvaguardam as duas intimidades, a salva e a converte cada dia.

A substituição da primeira com a segunda intimidade também é a raíz de muito mal-estar nas comunidades ideais e espirituais. As repetições e reiterações por anos da mesma intimidade coletiva, não mais acompanhada e alimentata por aquele primeiro diálogo íntimo profundo, gera nas pessoas progressivas e radicais doenças de identidade. A grande energia investida em aprender a arte de responder às perguntas sobre o "quem somos nós?" consuma dia após dia a capacidade de responder à outro pergunta radical: "mas eu, quem sou?". Qualquer pessoa que conhece o essencial do universo espiritual sabe bem que "quem sou eu?" é uma pergunta que não tem uma resposta satisfatória. Mas existe um modo bom e um modo mal de responder a essa pergunta. O primeiro nasce da consciência que aquela resposta muda e cresce conosco, e que, talvez será o anjo da morte a nos revelar enquanto nos abraçará. O modo mal, ao invés, é a não-resposta que nasce ao ir dentro do coração e encontrar lá somente tentativos de resposta compostos com palavras coletivas reduzidas ao nós. O constante e contínuo exercício de conjugação dos verbos da vida no plural consumiu a própria possibilidade de um logos no singular; não se responde não porque a pergunta não tenha respostas convincentes, mas porque nos esquecemos das regras gramaticais e sintáticas para entender a pergunta.

Quando, ao invés, conseguimos salvaguardar aquela primeira intimidade (e, graças a Desu, acontece com frequência), a defendê-la com todas as nossas forças por nós mesmos e pela nossa comunidade, encontramo-nos com um grande tesouro na vida adulta. Essa torna-se o bem essencial quando a segunda intimidade da comunidade se retira – e tem que se retirar –, e no seu retirar-se leva consigo as palavras, as imagens, os símbolos com os quais tínhamos embelezado a nossa vida espiritual e todo o nosso mundo. Alí percebemos que naquela terra tinha ainda uma árvore. A abraçamos, nos alimentamos dos seus frutos e gozamos de sua sombra. E depois descobrimos, emocionados, que é a mesma "árvore da vida" que tínhamos visto no Éden do primeiro paraíso, porque tinha germinado com a custódia tenaz de uma semente verdadeira. Embaixo daquela única sombra começam, pois, a encontrar-se velhos e novos companheiros, e uma nova história recomeça.

Se, ao invés, no dia do grande retiro das águas na nossa terra não encontrássemos nenhuma árvore, podemos colocar-nos à procura desesperada de uma boa semente e confiá-la àquela terra fecunda. Não será a nossa árvore, será a árvore dos filhos, e talvez seja ainda mais bela.

(traduzido por...)

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Excessos e desalinhamentos/8 - É preciosa a semente primigenial de toda vocação humana  

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire de 21/10/2018

Eccedenze e disallineamenti 08 rid«O outro, o Homem, é desde o início o reciprocante. Contemporaneamente, não pode ser esquecida a outra face da medalha desta capacidade do outro de me reciprocar. Tal capacidade pressupõe, de fato, que o outro represente uma "vida humana" exatamente como a minha, e pressupõe, portanto, a existência de uma vida sua e não minha, com um seu eu e um seu mundo próprio, exclusivo, que não são meus, que encontram-se do lado de fora, para além, que transcendem a minha vida».

José Ortega y Gasset, L'uomo e la gente

A família, o trabalho, a escola, são questões de reciprocidade. O cuidado que temos permanece imperfeito se não experimentarmos, algumas vezes, que estamos sendo cuidados por aqueles a quem cuidamos, e nenhuma educação é eficaz se enquanto ensina o professor não aprende e muda junto com os seus alunos. Também o relacionamento entre as comunidades ideais e as pessoas que dela fazem parte é uma questão de reciprocidade, que vive de uma grande proximidade unida a uma real distência. Nada, sobre a terra, é mais íntimo do que um encontro no espírito entre pessoas chamadas ao mesmo destino pela mesma voz, quando no outro vemos os mesmos desejos do nosso coração, as mesmas palavras ditas e não ditas nos retornam multiplicadas e sublimadas. Alegra-se pelas mesmas coisas, e a alegria aumenta ao ver que o outro está feliz pelas mesmas razões e da mesma forma com a qual estamos felizes nós.

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Mais bonita é a árvore dos filhos (tradução em andamento)

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Excessos e desalinhamentos/8 - É preciosa a semente primigenial de toda vocação humana   por Luigino Bruni publicado em Avvenire de 21/10/2018 «O outro, o Homem, é desde o início o reciprocante. Contemporaneamente, não pode ser esquecida a outra face da medalha desta capacidade d...
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Editorial - Um debate incompetente

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire de 09/10/2018

181009 Mai offendere i poveri ridO primeiro e radical problema de quem escreve, legisla e trabalha com a pobreza é a incompetência, porque não sendo pobres, normalmente, não possuímos aquele conhecimento específico que só tem que está dentro de uma condição de pobreza. Os discursos e as ações sobre as pobrezas geralmente são ineficazes, quando não prejudiciais, pois a falta de competência faz com que sejam abstratos. Com certeza, não é por acaso que os dois maiores estudiosos da pobreza, Muhammad Yunus (prêmio Nobel pela paz) e Amartya Sen (prêmio Nobel pela economia) sejam provenientes respectivamente do Bangladesh e da Índia, e ambos venham de experiências de contato com as pobrezas verdadeiras e tenham sujado suas mãos para ajudar a fazer nascer instituições e projetos para diminuir as pobrezas (a Grameen Bank e o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas). Para entender e trabalhar com as pobrezas o bom senso não basta e, muitas vezes, produz muitos danos. Temos que, ao invés, trabalhar muito, fazendo de tudo para adquirir, com o estudo e com o contato com as pessoas às quais se deseja ajudar, as competências que não temos, mas que devem ser conquistadas.

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A primeira coisa que começamos a entender, quando deixamos a o escritório e a televisão  e entramos na realidade das pobrezas, é a inadequação de uma das ideias mais enraizadas da sociologia do século XX, a "pirâmide de Maslow", que é abstrata demais para ser verdadeira. De fato, pensar que as pessoas tenham necessidades ordenadas por uma hierarquia piramidal, onde à base estão as necessidades fisiológicas (fome, sede, calor, frio…) e somente quando estas são supridas podemos permitir-nos o luxo de passar para as necessidades de ordem superior (segurança e proteção), depois àquelas de pertença e então às necessidades de estima. E, finalmente, uma vez supridos, aquecidos e estimados podemos nos dedicar ao luxo das necessidades de auto-realização, que ocupam o vértice da pirâmide. Como se as pessoas não morressem por falta de estima e de sentido, ou se a espera de uma neta que venha visitar-nos toda noite no hospital nos nutrisse menos do que a sopinha. Esta antiga teoria (de 1954) sofreu muitas críticas, desenvolvimentos e retíficas mas, a ideia que existam necessidades primárias e essenciais ligadas ao corpo, ao cobrir-se, à uma cama, e só depois todos as outras mais "altas", ainda está muita ancorada nas políticas públicas e na cultura média da população. E assim a encontramos, implícita, também no debate sobre a renda de cidadania destes dias na Itália (e não só).

Quando eu era criança, a renda do meu pai (vendedor ambulante de frangos e galinhas) foi, por muitos anos, menor do equivalente a 780 euros dos quais fala-se hoje, e ninguém sabia se todo mês teriam chegado em casa, onde a esperá-los estavam a minha mãe e nós quatro filhos. Mas nos aniversários e para a Befana (correspondente à Epifania, nt) os nossos presentes tinham que ser belos como os dos nossos amigos mais ricos da escola. Meu pai renunciava até mesmo a alguns bens primários, mas para aqueles brinquedos não fazia economia, porque não queria que sentíssemos vergonha na escola. Era a sua e a nossa dignidade que estavam em jogo. Os meus avós agricultores e as suas sete filhas não eram abastados, mas nas festas importantes precisava levantar-se da mesa deixando vinho e comida de sobra. Aqueles almoços exagerados não eram menos essenciais do que as batatas e o pão de cada dia, porque eram momentos decisivos onde se recriava e se cuidava daqueles laços sociais que mantinham entre eles os membros da comunidade, e impediam que todos se precipitassem nos dias difíceis, quando na falta dos bens primários estes outros bens, igualmente primários, podiam vir a supri-los. Durante um período de estudo no exterior, não tinha dinheiro suficiente para me permitir um jornal quotidiano (italiano) e o trem. Com um amigo, consegui emprestada uma bicicleta, economizava o custo do bilhete do trem e com aqueles dois francos podia ler artigos que estão na raíz daqueles que escrevi muitos anos depois e deste que estou escrevendo agora.

A teoria da pobreza de Amartya Sen baseia-se num princípio fundamental, uma espécie de pedra angular do seu edifício científico: a pobreza é a impossibilidade que uma pessoa tem de poder desenvolver a vida que amaria viver. A pobreza é, portanto, uma carência de liberdade efetiva, porque a falta daquilo que ele chama capabilities (capacidade de fazer e de ser) torna-se um obstáculo, muitas vezes insuperável, para realizar a vida que gostaríamos de ter.

E uma das capacidades fundamentais consiste, para Sen, em poder sair em público sem envergonhar-se (de sí e dos brinquedos de seus filhos). Uma das ideias econômico-sociais mais revolucionárias e humanísticas do último século.

A primeira mensagem, séria e preocupante, desta visão competente da pobreza refere-se à dificuldade de aumentar as liberdades com o dinheiro. Alguns, normalmente a maioria, destes obstáculos são, de fato, consequências não da falta de renda, mas de capabilities, que são um tipo de bens de capital (stock), uma ausência que se criou durante os anos, muitas vezes já desde a infância. É a ausência de capitais que gera também a falta de renda, que é somente um efeito. Estes bens de capital são: educação, saúde, família, comunidade, talentos para o trabalho, redes sociais, que para serem "cuidados" precisariam de intervenções estruturais, em "conta de capital" e, portanto, muito tempo, vontade política e um envolvimento sério da sociedade civil. Então, se as pessoas não usarem as entradas que chegam do governo para reforçar ou criar alguns destes capitais, tal recurso não irá reduzir a pobreza, porque as pessoas permanecerão pobres com um pouco mais de consumo. E o primeiro bem de capital com o qual uma pessoa pode recomeçar chama-se ainda com um antigo e lindo nome: trabalho.

Mas tem ainda uma segunda mensagem. Se estes 780 euros (no máximo) não se transformare também numa liberdade maior de comprar livros, jornais, de festejar, viajar, de comprar um bom brinquedo para uma criança ou uma pulseira mais bonita para a namorada, de fazer um jantar exagerado para os amigos mais caros e dizer-lhes que finalmente estamos mudando de vida e que recomeçamos a esperar..., aqueles rendimentos não reduzirão nenhuma pobreza, ou irão diminuir os aspectos menos importantes.

Todos sabemos, ou deveríamos saber que, para a mesma natureza "capital" de várias formas de pobreza, o risco que o dinheiro da renda básica de cidadania termine em lugares errados é muito alto; e por esta razão temos que fazer de tudo para eliminar e reduzir alguns destes lugares errados (in primis os jogos de azar, onde o governo começou bem e deve ir até o fim, a tirar as slot machine dos bares e tabacarias, e a reduzir drasticamente os 'raspe e ganhe' que já encontram-se em toda parte). Mas, se é verdade que a pobreza é a falta de liberdade, então não ofendamos a liberdade com listas de "bens primários" escritas de forma teórica, ou com controles que deveriam dizer-nos se um livro ou um brinquedo são caros demais para que um "pobre" possa permitir-se de comprar. A primeira "renda" da qual os muitos pobres do nosso país precisam é um sinal de confiança e dignidade. De ouvir dizer que são pobres, mas antes são pessoas adultas e podem decidir, também eles, se a prioridade é uma roupa ou um presente para alguém que amam.

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